Os municípios turísticos de Goiás, desde os mais festivos àqueles onde reina a calmaria, estão entre os destinos preferidos dos brasilienses em qualquer feriado prolongado. E neste Carnaval, as notícias do ano passado que apontavam cobranças de taxas ambientais podem assustar e gerar dúvidas nos moradores do Distrito Federal que pretendem visitar algum dos destinos ao redor do Quadradinho.
No último ano, as prefeituras de Caldas Novas e Alto Paraíso de Goiás chegaram a anunciar que passariam a cobrar tarifas para visitantes. Os municípios, contudo, acabaram não aderindo às medidas. O Metrópoles traz um contexto sobre as decisões e explica o cenário atual. Confira:
Alto Paraíso
Em março de 2024, a Prefeitura de Alto Paraíso de Goiás anunciou que cobraria R$ 20 por pessoa a cada sete dias na região.
A Taxa de Conservação Ambiental funcionaria da seguinte forma: cada cidadão que passasse até sete dias em Alto Paraíso teria de pagar R$ 20. Se a estadia extrapolasse esse período em pelo menos um dia, o valor seria cobrado novamente.
O pagamento seria feito pelo site Turismo Ecológico ou por QR Code divulgado no site da prefeitura.
A cobrança, no entanto, ainda não está em vigor. Quem for a Alto Paraíso no Carnaval não pagará taxas. O secretário de Turismo do município, Agnaldo Araújo, confirmou ao Metrópoles a informação.
Os visitantes do Vale da Lua, um dos destinos mais famosos da Chapada dos Veadeiros, continuarão pagando pelo acesso ao ponto turístico. Recentemente, a administração anunciou aumento do ingresso, que foi de R$ 40 para R$ 50.
Moradores da Chapada terão 59% de desconto, mediante apresentação de comprovante de residência ou Título de Eleitor. Idosos também terão direito a pagar a metade do valor, enquanto crianças de até 7 anos seguem com entrada gratuita.
Caldas Novas
Nacionalmente famosa por suas águas termais e festas sertanejas, Caldas Novas esteve próxima de regular mediante taxa a visitação à região. Em 26 de novembro de 2024, a Câmara Municipal de Caldas Novas instituiu um projeto de lei que implementava a Taxa de Preservação Ambiental (TPA). Pela primeira vez, portanto, os turistas que visitassem a região teriam de pagar pela estadia.
Os valores da TPA variavam conforme o tipo de veículo: carros de passeio pagariam R$ 36,50, enquanto ônibus de excursão teriam cobrança de R$ 183. Motocicletas pagariam R$ 4,50 por entrada.
O objetivo seria conter supostos danos causados pela superlotação turística ao longo do ano.
No dia 2 de janeiro deste ano, porém, a Prefeitura revogou a lei. O prefeito Kleber Marra (MDB) disse à época que a decisão desagradou os moradores e que, por isso, decidiu voltar atrás na medida. “Pressentimos que a população de Caldas Novas não gostou, apesar de o cidadão de Caldas não pagar. E precisamos ter humildade”, declarou Marra, durante cerimônia de posse do seu segundo mandato.
Portanto, quem pretende visitar Caldas Novas no Carnaval — e em qualquer outra época — não pagará nada para tal, como reforçou a Prefeitura em nota ao Metrópoles. “Não há, pelo poder público, nenhuma cobrança de taxa, seja ambiental ou de turismo”, confirmou o órgão.
Pirenópolis
Popular pelas cachoeiras e pela arquitetura colonial, Pirenópolis é mais uma região cuja qual o turista não paga para conhecer ou revisitar. Nunca pagou. Mas em 2006, o Conselho Municipal de Turismo (Comtur) sugeriu ao então prefeito Rogério Figueiredo a Taxa Municipal de Turismo (TMT).
A taxa seria de R$ 1 e não seria obrigatória. Apenas hotéis, pousadas e estabelecimentos similares fariam a cobrança semanal, via carnê, com as empresas depositando os valores em conta bancária do Fundo de Turismo (Funtur).
À época, cogitou-se colar cartazes e camisetas explicativas nos hotéis. O Conselho prometia que os ganhos seriam totalmente revertidos em melhorias para o turismo local. A proposta, no entanto, não foi aprovada e, de lá para cá, Pirenópolis nunca implementou cobrança taxa para visitantes.