Procon-DF registrou 521 reclamações contra a Neoenergia nos primeiros seis meses deste ano. No mesmo período de 2025, foram 276 queixas

As reclamações contra a Neoenergia Distribuição Brasília dispararam no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, o Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-DF) registrou 521 queixas contra a empresa. O número representa um aumento de 88% quando comparado às 276 reclamações contabilizadas no mesmo período do ano passado.
O número, porém, cresceu ainda mais nos meses seguintes. Até o início de setembro deste ano, o Procon-DF já havia acumulado 731 reclamações contra a Neoenergia, superando em 25,6% o total registrado durante todo o ano de 2025, quando foram recebidas 582 queixas.
O aumento das reclamações ocorre em meio às queixas de moradores do Distrito Federal sobre o valor das contas de luz. Em setembro, consumidores relataram, em grupos de condomínios e nas redes sociais, surpresa com o valor das faturas, mesmo sem mudanças consideradas significativas nos hábitos de consumo.
A Neoenergia confirmou que o consumo de energia na capital federal subiu, em média, 14% em setembro e atribuiu o aumento ao calor e ao uso mais intenso de aparelhos como ar-condicionado e climatizadores.
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Segundo a concessionária, o cenário de temperaturas elevadas também pressiona a demanda por eletricidade em outras regiões do país. Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que a carga média de consumo das regiões Centro-Oeste e Sudeste passou de 40.911 MW, em julho, para 43.853 MW, em setembro, uma alta de 8,3%.
Variação de consumo
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que acompanha permanentemente os indicadores de atendimento e as reclamações registradas pelos consumidores junto às distribuidoras de energia elétrica.
Em relação aos relatos de aumento expressivo nas contas de energia de consumidores do Distrito Federal referentes a setembro de 2026, a agência informou ter identificado crescimento das reclamações relacionadas a faturamento e variação de consumo envolvendo a Neoenergia Brasília nos últimos meses. A tendência, segundo a Aneel, permaneceu em setembro.
Dados preliminares fornecidos pela Aneel indicam um aumento próximo de 7% nas reclamações classificadas na tipologia “variação de consumo” em relação ao mês anterior.
A Aneel esclareceu que aumentos no valor da fatura podem decorrer de diferentes fatores. Entre eles estão o aumento efetivo do consumo de energia, especialmente em períodos de temperaturas elevadas e maior utilização de equipamentos de climatização, além de diferenças nos ciclos de leitura e faturamento.
Em determinadas situações, a agência explicou que a elevação do consumo também pode resultar em aumento proporcionalmente maior do valor final da conta devido à incidência de tributos e contribuições calculados com base no consumo faturado.
De acordo com a Aneel, as informações apresentadas pela Neoenergia Brasília apontam que setembro foi marcado por temperaturas excepcionalmente elevadas, aumento do consumo de energia no sistema e predominância de ciclos de leitura mais longos. Esses fatores podem contribuir para a elevação das faturas.
A distribuidora informou à agência aumento médio de 14% no consumo e crescimento da energia distribuída em comparação com os meses anteriores. A Aneel afirmou que a avaliação exige análise individual das situações relatadas pelos consumidores e do comportamento dos indicadores da distribuidora.
A agência orienta que consumidores que identificarem valores incompatíveis com o histórico de consumo registrem reclamação junto à distribuidora e solicitem os esclarecimentos pertinentes. Caso a resposta não seja considerada satisfatória, o consumidor poderá recorrer aos canais da Aneel, informando o número do protocolo de atendimento obtido previamente junto à concessionária.
A agência afirmou ainda que continuará acompanhando a evolução das reclamações e dos indicadores relacionados ao tema. Caso sejam identificadas irregularidades ou indícios consistentes de falhas nos processos de medição ou faturamento, a Aneel poderá adotar as medidas regulatórias e fiscalizatórias cabíveis.
Falhas no fornecimento
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) informou que tem recebido manifestações de consumidores relacionadas à prestação do serviço de energia elétrica no DF, inclusive sobre faturamento, cobrança e problemas de medição.
No entanto, segundo a promotora de Justiça Vívian Caldas, da 3ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon), não há, neste momento, levantamento consolidado que permita informar com segurança quantas reclamações são especificamente relacionadas a aumentos considerados anormais nas faturas em período recente.
O MPDFT, porém, já acompanha problemas relacionados à prestação do serviço de energia elétrica pela Neoenergia. Por meio da Prodecon, o órgão ajuizou, em julho deste ano, uma ação civil pública contra a concessionária.
De acordo com Vívian, a ação tem busca enfrentar falhas consideradas persistentes e sistêmicas na prestação do serviço de distribuição de energia elétrica no Distrito Federal. Entre os temas abrangidos estão problemas relacionados à continuidade do fornecimento, atendimento aos consumidores, faturamento, cobrança, tratamento das reclamações e ressarcimento de danos.
“No curso da apuração que antecedeu o ajuizamento da ação também foram examinados relatos envolvendo dificuldades de faturamento e medição, como cobranças duplicadas, contas zeradas, erros de leitura e cobranças consideradas indevidas pelos consumidores”, explicou.
A promotora afirmou que novas reclamações relacionadas a faturamento, cobrança ou medição são analisadas à luz da ação coletiva já existente. Caso os fatos relacionados às contas de setembro reproduzam problemas sistêmicos que integram o objeto da ação civil pública, eles poderão subsidiar o acompanhamento da demanda judicial.
Sobre a possibilidade de solicitar informações à Neoenergia a respeito do aumento do consumo e dos valores cobrados em setembro, Vívian afirmou que a Prodecon avaliará as manifestações e os elementos concretos apresentados pelos consumidores.
“A Prodecon avaliará as manifestações e os elementos concretos que forem apresentados sobre eventuais alterações relevantes nas faturas. Não há, neste momento, informação suficiente para antecipar a adoção de diligência específica relacionada às contas de setembro”, destacou a promotora.
Possibilidade de rompimento
Durante sabatina promovida pela Rádio Metrópoles com os candidatos ao Palácio do Buriti nas Eleições 2026, em 31 de agosto, a governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição Celina Leão (PP) falou sobre a possibilidade de rompimento com a Neonergia, concessionária responsável pela distribuição de energia no DF.
Celina revelou descontentamento com a privatização do serviço. “Se não melhorarem a prestação de serviço [a concessão] será revista, com certeza”, prometeu. Nas palavras da governadora, a qualidade dos trabalhos prestados pela empresa privada estava “está muito ruim, muito ruim”.
“Eu represento a população. Tem que estar realmente atento às demandas da população. Já fiz várias notificações. Temos feito uma parceria junto com o Procon, que também está fazendo todas as notificações que precisam ser feitas. Tive que mandar um lei para a Câmara Distrital porque as contas estavam vindo protestadas por três, quatro dias”, detalhou Celina Leão.
O que diz a Neoenergia
Em nota, a Neoenergia informou que reconheceu o aumento pontual nas reclamações durante a atualização do sistema comercial, uma mudança de grande porte que envolveu diferentes processos da companhia, e lamenta eventuais transtornos causados aos clientes.
De acordo com a empresa, a migração já foi concluída e os serviços estão normalizados, restando apenas “situações pontuais”, que são tratadas individualmente.
“De janeiro a junho, foram registradas 521 reclamações no Procon, o equivalente a 0,04% dos mais de 1,3 milhão de consumidores atendidos pela Neoenergia no Distrito Federal”, alegou.
Em caso de qualquer inconsistência, o cliente pode procurar a Neoenergia pelos canais de atendimento: WhatsApp (61) 3465-9318, telefone 116 ou em uma das lojas de atendimento presencial.
