Célula digital com 80 integrantes funcionava como cérebro e tribunal do PCC no DF, comandando paiol de armas, finanças e execuções de rivais
08/10/2026 06:45
, atualizado 08/10/2026 07:47

Uma célula virtual de cerca de 80 integrantes batizados operava no centro do poder nacional não apenas como um canal de mensagens, mas como o próprio cérebro, tribunal executivo e núcleo de inteligência do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Distrito Federal.
Denominado “Faculdade Brasília”, o grupo clandestino é o foco principal da Operação Jubilados, deflagrada nas primeiras horas desta quinta-feira (8/10) pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) da Polícia Civil do DF (PCDF). A operação é uma ação conjunta entre a PCDF e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Distrito Federal (FICCO/DF).
Leia também
A partir dessa rede digital, a cúpula da facção mantinha um controle minucioso sobre ações nas ruas e no sistema prisional, articulando o suprimento de armas e munições, a expansão de pontos de venda de drogas, as chamadas “lojas”, a gestão de rifas e mensalidades, além de acolher um setor de contrainteligência encarregado de mapear viaturas policiais e confeccionar dossiês com fotos e endereços de rivais marcados para morrer.

![]()

1 de 4
Equipes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) deflagraram operação nas primeiras horas desta quinta-feira (8/10)
Material cedido ao Metrópoles

2 de 4
Batizada de Operação Jubilados, a ação cortou o silêncio do Distrito Federal, de Goiás e de São Paulo para desmantelar a “Faculdade Brasília do crime”
Material cedido ao Metrópoles

3 de 4
A operação é uma ação conjunta entre a PCDF e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Distrito Federal (FICCO/DF)
Material cedido ao Metrópoles

4 de 4
O grupo clandestino “Faculdade Brasília”, uma célula virtual com cerca de 80 integrantes batizados
Material cedido ao Metrópoles
Mapeamento de hierarquia
Essa engrenagem digital foi descortinada como desdobramento direto da Operação Mosaico, deflagrada em dezembro de 2025. A análise pericial minuciosa dos materiais apreendidos naquela primeira fase permitiu aos investigadores de inteligência mapear a nova hierarquia do grupo e expor o funcionamento da “Faculdade Brasília” e do canal aliado “Juntos Somos Mais Fortes DF”.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles
As interceptações autorizadas pela Justiça revelaram que o fórum digital funcionava sob um organograma rígido e compartimentado: setores específicos cuidavam da logística do paiol, da contabilidade financeira, do cadastro formal dos novos membros e do suporte logístico a presos.
Cabia também à “Faculdade Brasília” o papel de tribunal disciplinar, no qual eram julgadas condutas internas e decretadas sanções a quem violasse as regras da organização. O avanço sobre a estrutura resultou no cumprimento simultâneo de 21 mandados de prisão temporária e 27 de busca e apreensão.
Alvos nas cidades
O aparato policial cercou alvos estratégicos distribuídos por 10 regiões administrativas do DF: São Sebastião, Itapoã, Samambaia, Sol Nascente, Ceilândia, Santa Maria, Candangolândia, Gama, Planaltina e Estrutural —, com varreduras pavilhão por pavilhão dentro do sistema carcerário.
A ofensiva cruzou as divisas do DF para atingir pontos operacionais em Águas Lindas de Goiás, no Entorno, e contou com o apoio de equipes da Polícia Civil paulista para cumprir ordens judiciais nas cidades de Sorocaba e Indaiatuba.
A operação de campo exigiu mobilização integrada do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado e da Divisão de Operações Especiais da PCDF, do Batalhão de Policiamento com Cães e do Patamo da PMDF, além de agentes da Polícia Penal do DF e da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, que reúne esforços com a Polícia Federal.
Os alvos detidos nesta etapa respondem com enquadramento direto no artigo 2º da Lei nº 12.850/2013 por integração a organização criminosa, cujas penas chegam a 8 anos de reclusão e multa, podendo haver aditamento de acusações por tráfico de drogas, posse de armas e homicídios ao longo do processo. Os eletrônicos recolhidos passam agora por análise pericial para a identificação de novos desdobramentos da rede.
