Em 02 dezembro de 2009, dias após a deflagração da Operação Caixa de Pandora (realizada em 27 de novembro), o então secretário de Fazenda do Distrito Federal, Valdivino Oliveira, deixou o cargo. Ele foi o último dos três secretários indicados pelo PSDB a entregar o pedido de desligamento do cargo ao governador José Roberto Arruda (DEM).
Valdivino foi substituído pelo secretário-adjunto André Clemente. Em seu currículo ele traz a passagem pelo mesmo cargo nas gestões de José Roberto Arruda (PR), Paulo Octávio (PP) e Rogério Rosso (PSD). Desta forma, quem atualmente cuida do caixa de Ibaneis é o mesmo que cuidou do caixa de Arruda.
Em 2018, o jornalista Chico Sant’Anna revelou quem seria o futuro secretário de Fazenda no governo de Ibaneis Rocha: “André Clemente, segundo a Rádio CBN, deixou de pagar o IPTU e a Taxa de Limpeza Urbana de dois imóveis no Sudoeste, de 2012 a 2015, e o IPVA de um veículo nos anos de 2013 e 2014. Por isso, teve o nome inscrito na dívida ativa do DF. Em 2016, a Procuradoria-Geral do GDF entrou com ação contra ele cobrando o pagamento de uma dívida de R$ 20 mil, com as correções. A dívida foi parcelada em 60 vezes. De janeiro até agora ele pagou mais de R$ 10 mil.”
O salário médio de um auditor fiscal em Brasília é de R$ 22.671, podendo variar o inicial de R$ 12.300 até o topo da carreira, R$ 30 mil. Clemente alegou problemas financeiros pessoais para não pagar os impostos devidos, além de discordar das alíquotas cobradas. Independentemente do que motivou o não pagamento, não parece salutar, nem transmite uma boa mensagem de moralidade administrativa a indicação para a Secretaria da Fazenda de um auditor fiscal que esteve inadimplente para com o Fisco.
É bom lembrar, que a missão de um auditor é fazer com que impostos sejam devidamente recolhidos. Rollemberg teve a grandeza de reconhecer o erro e trocou o indicado para o Detran. Ibaneis não parece inclinado a fazer o mesmo”, publicou.
Mas o que chama atenção em André Clemente, além de sua notória soberba (que têm inclusive despertado a indignação de alguns secretários), é que sua pasta só visa arrecadar mais dinheiro, esquecendo-se do sofrimento alheio em meio à pandemia.
A publicidade oficial do governo que circula atualmente em alguns veículos de comunicação, por exemplo, quer que a população pague o IPVA. Mas nesta pandemia, com Lockdown e toque de recolher, quem não pode trabalhar, abrir a empresa ou comércio, como terá dinheiro para recolher o imposto?
Que tal se Clemente, rodeado de amigos delegados aposentados, fosse às ruas para ver e ouvir a revolta do povo com esse tipo de atitude? Por quê a poderosa Secretaria de Economia não suspende a cobrança nesse período de pandemia?
Proíbem o povo de trabalhar e ainda exigem que se pague tributos? Falta coordenação política no governo de Ibaneis Rocha (MDB), além de planejamento, sensatez, sensibilidade e respeito ao povo que lhes deu a oportunidade de estar no poder.