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Justiça decide manter preso assassino de motorista de app no Cruzeiro

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DÉLIO ANDRADE
DÉLIO ANDRADEhttp://delioandrade.com.br
Jornalista, sob o Registro número 0012243/DF

A Justiça manteve preso Antônio Ailton da Silva (foto em destaque), de 43 anos, suspeito de matar a motorista de aplicativo Ana Rosa Rodolfo de Queiroz Brandão, 49. Nessa quinta-feira, (27/2), o juiz de direito substituto do Núcleo de Audiências de Custódia (NAC) converteu a prisão em flagrante em preventiva.

Na audiência de custódia, o  juiz admitiu que a prisão em flagrante efetuada pela autoridade policial não apresentou qualquer ilegalidade.

“No caso, a gravidade do crime é exacerbada, principalmente pelo fato de a vítima ter sido esfaqueada. Conforme informações apuradas nos autos, a vítima foi atacada com uma faca, o que resultou em lesões corporais graves”, sentenciou o magistrado, destacando a periculosidade do réu e a violência empregada na prática delitiva.

Além disso, o magistrado afirmou que, segundo relatos policiais, o réu foi visto com a faca na mão, o que corrobora a autoria delitiva e a intenção de causar dano à vítima. “A presença de objetos da possível prática delitiva em posse do réu reforça ainda mais os indícios de sua participação no crime.”

Segundo o magistrado, a prisão preventiva é necessária para assegurar a aplicação da lei penal, uma vez que a liberdade do réu poderia representar risco de fuga ou de reiteração criminosa, segundo o magistrado. Para o juiz, são incabíveis as medidas cautelares diversas da prisão.

Investigação em aberto

Ainda há muitas perguntas sem respostas acerca da morte de Ana Rosa Rodolfo de Queiroz Brandão (foto abaixo), 49 anos. A 3ª Delegacia de Polícia (Cruzeiro), que investiga o caso, informou nessa quinta que o crime pode não ter sido de latrocínio, mas sim de feminicídio.

12 imagens

Ana Rosa tinha 49 anos

Ela morava em Valparaíso (GO), no Entorno do Distrito Federal
Ana Rosa trabalhava como motorista de aplicativo
Crime ocorreu por volta das 12h15 de quarta-feira (26/2)
Antônio Ailton da Silva, 43, é tido como autor
1 de 12

Ana Rosa foi esfaqueada após assalto

Reprodução/redes sociais

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Ana Rosa tinha 49 anos

Reprodução/redes sociais

3 de 12

Ela morava em Valparaíso (GO), no Entorno do Distrito Federal

Reprodução/redes sociais

4 de 12

Ana Rosa trabalhava como motorista de aplicativo

Reprodução/redes sociais

5 de 12

Crime ocorreu por volta das 12h15 de quarta-feira (26/2)

Reprodução/redes sociais

6 de 12

Antônio Ailton da Silva, 43, é tido como autor

Reprodução

7 de 12

Crime ocorreu no Cruzeiro Velho

Hugo Barreto/Metrópoles

8 de 12

Motorista atacada morreu no local

Hugo Barreto/Metrópoles

9 de 12

Vítima era motorista de aplicativo

Hugo Barreto/Metrópoles

10 de 12

Polícia Militar prendeu suspeito no Sudoeste

Imagem cedida ao Metrópoles

11 de 12

Filho mais novo da motorista chegou ao local do crime em estado de choque

Imagem cedida ao Metrópoles

12 de 12

Condutora que morreu após assalto tinha 49 anos

Reprodução

Ana Rosa Brandão foi encontrada morta no próprio carro, um Volksvagem Voyage preto, por volta das 12h15 de quarta-feira (26/2), na quadra 4 do Cruzeiro. Testemunhas próximas ao local ouviram barulhos de freadas antes do veículo parar em um canteiro.

As autoridades informaram que Ana Rosa foi vítima de facadas. À frente do caso, o delegado-chefe da 3ª DP, Victor Dan, anunciou nessa quinta-feira (27/2) que a motorista chegou a ser estrangulada com um fio de náilon antes de ser esfaqueada.

Já ferida, Ana Rosa chegou a ligar para o marido para pedir socorro e dizer que “estava morrendo”. Ela não resistiu e faleceu ainda no local. A mulher deixa o esposo e dois filhos, de 23 e 12 anos.

Pasta na mão

Antônio Ailton foi visto por testemunhas fugindo do local com uma pasta na mão — não se sabe o que ele guardava, mas, segundo as investigações, a pasta seria dele. Câmeras de segurança flagraram Antônio correndo em uma rua próxima à quadra onde estava o carro de Ana Rosa.

O homem seguiu correndo na tentativa de fugir. Um militar do Exército que estava no local ouviu de testemunhas que o cidadão fugindo era um criminoso e começou a persegui-lo. Já no Sudoeste, populares conseguiram conter Antônio até a chegada da polícia.

Ainda de acordo com as investigações, Antônio encontrou Ana Rosa na Rodoviária do Plano Piloto e sugeriu a ela que fizesse uma corrida informal até o Valparaíso de Goiás por R$ 35. A vítima teria aceitado, porque morava no município goiano e iria aproveitar para encerrar o dia de trabalho.

Inicialmente, o caso foi tratado como latrocínio (roubo seguido de morte). O delegado Victor Dan, no entanto, afirmou em entrevista coletiva nessa quinta-feira que há “grande possibilidade de reclassificação do crime para feminicídio”, uma vez que Antônio não levou nenhum objeto de Ana Rosa consigo. Também pesa na mudança da hipótese o fato de o autor ter tentado matar a ex-companheira e a amiga dela um dia antes.

Antônio Ailton da Silva teve a prisão preventiva decretada nessa quinta-feira (27/2) e segue à disposição da Justiça.

O que falta saber?

  • Vítima e autor já se conheciam? Com a hipótese de feminicídio, surge a dúvida. Segundo o delegado Victor Dan, a informação ainda é desconhecida.
  • Quem dirigia no momento em que o carro bateu? Não se sabe se era Antônio ou Ana Rosa no volante no momento em que o veículo foi parar no canteiro. Uma testemunha diz ter visto a mulher passando do banco do passageiro para o do motorista, já ferida, pedindo socorro. A 3ª DP apura.
  • Por que o criminoso e a mulher foram parar no Cruzeiro? A região não está na rota habitual de quem sai da Rodoviária do Plano Piloto rumo a Valparaíso de Goiás.
  • Antônio tentou roubar o carro de Ana Rosa? Esta informação deve ser respondida somente após depoimento do autor.
  • Como foi a dinâmica da agressão? Com a nova informação de que Ana Rosa foi enforcada com um fio de náilon, é preciso entender se a motorista recebeu primeiro os golpes de faca ou o enforcamento.
  • O que provocou a morte da vítima? O Instituto Médico Legal (IML), da PCDF, ainda precisa publicizar o laudo cadavérico de Ana Rosa, que deve conter informações quanto à causa do óbito.
  • Por onde andou Antônio antes de ser preso? No dia anterior à morte de Ana Rosa, o criminoso tentou matar a ex-mulher no Recanto das Emas. Ele já era procurado pelas autoridades desde então, e a suspeita é que tenha se escondido no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). Não se sabe como ele foi parar na Rodoviária do Plano Piloto.

Quase matou a ex

Na madrugada de terça-feira (25/2), Antônio tentou matar a ex-companheira, a pastora Maria Custódio da Silva Gama, 57. Ela estava dormindo na casa de uma amiga na Quadra 204 do Recanto das Emas, quando o criminoso invadiu e agrediu as duas mulheres. Ele amarrou Maria com uma corda, socou e enforcou a vítima. Depois, bateu na amiga dela.

As vítimas tiveram de fingir que estavam mortas para escaparem das agressões. O criminoso fugiu em seguida.

Maria e Antônio mantiveram relacionamento por um ano e terminaram no início desta semana. O indivíduo, porém, não aceitava o fim do relacionamento e, por isso, decidiu agredir a ex.

Antônio Ailton da Silva se apresentava como pastor da igreja Assembleia de Deus Vida e Paz, em Valparaíso. Maria duvida dessa informação e alerta que ele pode ter falsificado documentos para se aproximar dela e convencê-la a se casar.

As investigações sobre ambos os casos seguem.

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