A defesa do ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal Anderson Torres (foto em destaque) disse que seu cliente adotou todas as medidas necessárias para garantir a segurança da Esplanada dos Ministérios em 8 de janeiro de 2023.
No dia dos ataques às sedes dos Três Poderes, Torres estava fora do país. Por causa disso, ele é acusado de omissão. “O que mais ele poderia ter feito? Ele deixou um protocolo de ações integradas, que, se cumprido, não teriam acontecido os atos do dia 8”, disse o advogado Eumar Novacki.
“Até o embarque ele não teve conhecimento de nada que contraindicasse a sua viagem. São inúmeros pontos que comprovam que ele cumpriu com seu mister”, argumentou.
Ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Torres, que também ocupou o cargo de ministro da Justiça, é um dos alvos da Procuradoria-Geral da República na denúncia sobre uma suposta trama golpista para derrubar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Até agora o Ministério Público Federal tem forçado a defesa, especialmente a do Anderson Torres, a produzir uma prova negativa de autoria. A famigerada prova diabólica. E nós temos conseguido êxito nisso, de provar que ele não cometeu os crimes que estão sendo colocados para ele. A grande dificuldade que o MP vai ter é de provar o contrário. Até porque não existiu”, afirmou o advogado.
Assessoramento de generais
A defesa também negou que Torres tenha participado de reuniões para redigir uma minuta golpista. “Em nenhum momento Anderson Torres esteve reunido junto com os dois generais, Freire Gomes [então comandante do Exército] e Batista Júnior [comandante da Aeronáutica], junto com o presidente da República [Jair Bolsonaro], por exemplo. Nós juntamos um relatório de entrada e saída do Palácio do Planalto que mostra isso”, disse.
Os dois generais disseram à Polícia Federal que houve reuniões com Bolsonaro e outros integrantes do governo, incluindo Torres, para tratar de um plano de golpe de Estado. “Então, de duas uma: ou fazemos mais diligências para comprovar a verdade, ou fica evidente que os ex-comandantes mentiram”, argumentou.
Sobre a minuta com um plano golpista encontrada na residência de Torrer, Novacki ressaltou que se tratava de um documento apócrifo, sem valor jurídico, escrito de forma “lunática, absurda e sem sentido”. O documento teria sido distribuído para várias autoridades e circulava pela internet desde dezembro de 2022. Para a defesa, por estas razões, a minuta não tem peso de prova.
O advogado também ressaltou que Torres fez a transição do Ministério da Justiça, quando o governo Lula assumiu. “Ele se reuniu com o general Dutra para tratar da desmobilização dos acampamentos. Isso não condiz com quem tem um espírito golpista”, afirmou.
“E para finalizar, e isso é muito importante: quando ele soube da invasão dos prédios públicos, ele disse: não deixe entrar no Supremo. Isso mostra claramente que ele não tinha espírito golpista nenhum”, pontuou.
Sobre as blitze da Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizadas em rodovias e estradas no dia da eleição de 2022, Novacki argumentou que Torres não tomou qualquer atitude para atrapalhar a votação. Segundo a defesa, Torres teria determinado medidas para garantir a lisura do processo eleitoral.