Em seu segundo mandato na Câmara Legislativa do Distrito Federal e candidato à reeleição, Ricardo Vale (PT) busca uma terceira passagem pela Casa com um discurso voltado à continuidade da atuação em áreas como cultura, saúde, educação e preservação da história das cidades. Em entrevista ao Jornal do Guará, o deputado também falou sobre a Feira do Guará, a ocupação dos espaços públicos e as dificuldades para execução de emendas parlamentares.
Atual vice-presidente da Câmara Legislativa, Vale avalia que a atual composição da Casa deu ao Governo do Distrito Federal uma base ampla para aprovação de seus projetos. Integrante da oposição, afirma que seu grupo apoiou propostas consideradas positivas e se posicionou contra aquelas das quais discordava.
Para a próxima legislatura, o deputado espera uma composição mais equilibrada entre governo e oposição. Segundo ele, independentemente do campo político, o parlamentar deve preservar autonomia para analisar cada projeto e seus impactos para a população.
Vale também critica dificuldades enfrentadas por deputados de oposição para executar determinadas emendas parlamentares. Segundo ele, recursos destinados a obras, projetos sociais, esportivos e outras ações não deveriam ser condicionados à relação política entre parlamentar, governo e administrações regionais.
“Quando eu mando um recurso para melhorar a Feira do Guará, arrumar um campo, fazer uma obra ou ajudar uma escola, são recursos públicos. Não pertencem ao deputado, ao governador, ao secretário ou ao administrador”, afirmou.
A cultura aparece como uma das áreas de maior presença de seu mandato. Vale defende o setor não apenas pela contribuição artística, mas também pela capacidade de gerar emprego e renda. Durante a entrevista, afirmou que tem destinado recursos para manifestações culturais em diferentes regiões do Distrito Federal e criticou dificuldades recentes enfrentadas por produtores e artistas para acessar recursos públicos.
Feira do Guará e memória da cidade
Entre as ações relacionadas diretamente ao Guará, Ricardo Vale destacou o reconhecimento da Feira do Guará como patrimônio cultural imaterial do Distrito Federal, iniciativa de sua autoria. Para o deputado, a medida pode ajudar a reforçar a responsabilidade do poder público com a preservação e manutenção de um dos espaços mais tradicionais da cidade.
Vale considera preocupante o momento vivido pela Feira, que enfrenta redução no movimento, problemas estruturais e disputas relacionadas à representação dos feirantes. Na avaliação do deputado, os conflitos internos têm dificultado a busca por soluções e investimentos.
Ele defende uma atuação maior do Governo do Distrito Federal para recuperar a estrutura e ajudar a Feira a retomar a importância econômica e turística que teve em outras décadas.
“A Feira do Guará pertence ao povo do Distrito Federal. Todos nós temos um carinho muito grande por ela. Agora, como patrimônio cultural, precisamos cobrar também os investimentos do Estado para que seja melhor cuidada”, afirmou.
A preservação da memória das regiões administrativas é outro projeto que Vale pretende ampliar. Depois de apoiar a produção de uma publicação sobre a história de Sobradinho, o deputado afirma que pretende desenvolver iniciativas semelhantes em outras cidades, entre elas o Guará.
A ideia é reunir personagens, acontecimentos, atividades culturais, esportivas e espaços que participaram da formação da cidade. No caso do Guará, Vale citou a própria Feira, o antigo futebol local e moradores que ajudaram a construir a identidade da região.
Segundo ele, já existe a intenção de destinar recursos para um projeto sobre a história do Guará. A execução, porém, dependerá da liberação das emendas e dos procedimentos necessários para a produção da publicação.
Saúde e
convivência urbana
Ao tratar dos problemas que pretende enfrentar em um eventual terceiro mandato, Ricardo Vale colocou a saúde pública entre as principais prioridades. O deputado reconheceu que, apesar de destinar recursos e cobrar medidas do Executivo, considera insuficiente o resultado alcançado até agora.
Vale citou dificuldades para consultas, cirurgias e atendimentos nas unidades públicas e afirmou que pretende aumentar a fiscalização sobre a aplicação dos recursos destinados à área. Para ele, além de investimentos, o sistema precisa melhorar a gestão e ampliar a quantidade de profissionais disponíveis.
“Vou aumentar minha atuação do ponto de vista da fiscalização, para saber o que está sendo feito com esses investimentos e por que ainda temos tanta dificuldade no atendimento”, afirmou.
Outra preocupação apresentada pelo deputado é a convivência entre comércio, moradores e atividades culturais. Vale defende que conflitos relacionados a bares, restaurantes, música e uso das áreas públicas sejam enfrentados por meio de organização, fiscalização e diálogo, evitando tanto prejuízos aos moradores quanto restrições excessivas às atividades econômicas e culturais.
Ele citou como exemplo a experiência do Eixão do Lazer, onde diferentes órgãos públicos, trabalhadores e usuários participaram de discussões para estabelecer regras de funcionamento. Na avaliação do parlamentar, soluções semelhantes podem ser aplicadas em outras regiões do DF.
No Guará, o tema envolve especialmente áreas onde estabelecimentos comerciais ficam próximos às residências. Vale afirma que tentou promover mudanças na legislação relacionada ao controle de ruídos para permitir atividades culturais dentro de limites de horário e volume, mas não conseguiu concluir a alteração.
Segundo o deputado, é necessário encontrar regras que permitam a atividade de bares, restaurantes e músicos sem comprometer o descanso dos moradores. Para ele, o fechamento de estabelecimentos ou a proibição generalizada de atividades não resolve conflitos que poderiam ser tratados com fiscalização e critérios mais claros.
A manutenção das áreas públicas também entrou na discussão. Vale considera que praças, quadras esportivas, parques e outros espaços do Guará precisam de investimentos permanentes e não podem depender exclusivamente de emendas parlamentares.

