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“Conheço a escola de dentro e sei que política pública só funciona quando chega à vida das pessoas” – Fernanda Mateus, candidata a deputada distrital

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DÉLIO ANDRADE
DÉLIO ANDRADEhttp://delioandrade.com.br
Jornalista, sob o Registro número 0012243/DF

Com cerca de 25 anos de trajetória na educação pública do Distrito Federal e uma relação profissional construída com o Guará e a Estrutural, Fernanda Mateus disputa uma vaga de deputada distrital pelo MDB. Professora de Filosofia, ex-Coordenadora Regional de Ensino do Guará e ex-subsecretária, ela apresenta a educação, a valorização dos profissionais da escola e uma gestão pública mais próxima dos territórios entre os principais temas de sua candidatura.

Quem é Fernanda Mateus para quem ainda não conhece sua história?
Antes de qualquer cargo, eu sou professora. São cerca de 25 anos de uma trajetória construída dentro da educação pública. Comecei como professora de Filosofia e, ao longo do tempo, fui vice-diretora, diretora eleita, Diretora de Alimentação Escolar, Coordenadora Regional de Ensino e subsecretária.
Cada função ampliou meu olhar sobre a educação e sobre a gestão pública. Aprendi que uma decisão tomada em um gabinete só faz sentido quando chega à vida das pessoas e melhora o cotidiano de uma escola, de uma família ou de uma comunidade.

O Guará ocupa um lugar importante nessa trajetória. Que relação você construiu com a região?
O Guará ocupa um lugar especial na minha trajetória. Como Coordenadora Regional de Ensino, acompanhei escolas do Guará e da Estrutural e procurei manter uma relação próxima com gestores, professores, trabalhadores da educação, estudantes e famílias.
Criamos uma rotina de visitas, reuniões e acompanhamento das principais demandas das unidades escolares. Eu acreditava que não era possível conhecer a realidade apenas pelos documentos. Era preciso estar nas escolas, ouvir as equipes e compreender os problemas do cotidiano.
Conviver com realidades diferentes como as do Guará e da Estrutural também reforçou uma compreensão importante: políticas públicas precisam considerar as características de cada território.

Existe alguma experiência desse período que tenha marcado você especialmente?
Uma delas foi a Colônia de Férias realizada para estudantes da Estrutural. Durante o recesso, proporcionamos atividades culturais, turísticas e de arte-educação. Para algumas crianças, era a oportunidade de conhecer lugares e viver experiências às quais normalmente não tinham acesso.
Aquilo reforçou uma convicção que carrego comigo: educação também é ampliar horizontes. Uma experiência cultural pode despertar curiosidade, revelar talentos e apresentar novas possibilidades para uma criança.

Sua gestão também acompanhou indicadores educacionais. Qual a importância desses resultados?
Indicadores ajudam a identificar onde estamos e onde precisamos avançar, mas não contam sozinhos toda a história de uma escola. Na Coordenação Regional, trabalhamos com acompanhamento, planejamento pedagógico e diálogo com gestores para identificar necessidades e melhorar resultados.
Esse é sempre um trabalho coletivo, construído por professores, gestores, coordenadores, servidores, estudantes e famílias. Mais importante do que uma posição em rankings é aquilo que muda na vida do estudante: aprendizagem, oportunidades e perspectivas de futuro.

Depois de tantos anos na educação, por que entrar para a política?
Foi a própria educação que me levou à política. Ao longo dos anos, percebi que muitos problemas que chegam às escolas dependem também de orçamento, legislação, fiscalização, planejamento e decisões tomadas em outras áreas do poder público.
Quero levar para a Câmara Legislativa a experiência de quem conhece o cotidiano da escola e também os caminhos administrativos necessários para fazer uma política pública funcionar.

O que significa dizer que você “conhece a escola de dentro”?
É compreender que uma escola vai muito além da sala de aula. Existe o professor, a gestão, os profissionais da alimentação, da limpeza, da vigilância, as famílias e, no centro de tudo, crianças e jovens com diferentes histórias e necessidades.
Essa vivência muda a forma de pensar políticas públicas. Não basta saber quanto uma medida custa. É preciso avaliar se funciona, se chega a quem precisa, se melhora a aprendizagem e se oferece condições adequadas aos profissionais.

Quais são hoje os principais desafios da educação pública?
Os desafios estão conectados. Precisamos cuidar da aprendizagem, da infraestrutura, da valorização dos profissionais, da alimentação, da inclusão, da permanência dos estudantes e da relação com as famílias.
Educação exige continuidade, planejamento, investimento, acompanhamento e avaliação. Também exige ouvir quem está dentro das escolas e conhece a realidade diariamente.

A alimentação escolar aparece entre os temas que você defende. Por quê?
Porque alimentação escolar também está relacionada às condições de aprendizagem. Para muitas crianças, ela representa segurança alimentar, saúde, acolhimento e permanência na escola.
Minha experiência na Diretoria de Alimentação Escolar reforçou essa percepção. É um tema que exige qualidade nutricional, planejamento, fiscalização e respeito aos estudantes.

O que uma deputada distrital pode efetivamente fazer pela educação?
Existe uma diferença importante entre administrar e legislar. Uma parlamentar não executa diretamente as políticas que são responsabilidade do Executivo, mas pode legislar, fiscalizar o governo, acompanhar políticas públicas, discutir o orçamento, cobrar resultados e propor prioridades.
Minha experiência na gestão pode contribuir justamente nesse acompanhamento. Uma boa política pública não termina quando é anunciada. É preciso verificar se existe orçamento, se ela pode ser executada e se efetivamente chegou às pessoas.

Quais seriam suas prioridades caso seja eleita?
A educação seria uma prioridade central, especialmente a valorização de quem trabalha nas escolas, a aprendizagem, a alimentação escolar e a aproximação entre escola e comunidade.
Também considero importante trabalhar políticas voltadas à proteção de crianças e famílias, às mulheres e ao desenvolvimento dos territórios. Em todas essas áreas, a gestão dos recursos públicos precisa ser acompanhada de perto. Política pública, para mim, só está completa quando deixa de ser uma intenção no papel e produz resultado na vida das pessoas.

Por que o eleitor deveria considerar sua candidatura?
Prefiro que as pessoas analisem minha trajetória. Foram cerca de 25 anos na educação pública, passando pela sala de aula e por diferentes funções de gestão.
Essa experiência não significa ter todas as respostas, mas me permitiu conhecer de perto muitos dos problemas sobre os quais hoje proponho discutir no Legislativo. Minha intenção é levar para a política uma forma de trabalho baseada em planejamento, escuta, acompanhamento e responsabilidade.

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