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“Patricinha do SLU” que zombou do Bolsa Família é dona de loja de grife

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DÉLIO ANDRADE
DÉLIO ANDRADEhttp://delioandrade.com.br
Jornalista, sob o Registro número 0012243/DF
Na Mira

Loja esclarece que as falas de Fabiana Guimarães são de caráter estritamente pessoal; caso envolve ataques ao Bolsa Família e xenofobia

Reprodução
foto criada por IA

A publicação de ataques ostensivos a beneficiários do programa Bolsa Família, ofensas de cunho xenofóbico contra pessoas nascidas na Bahia e manifestações políticas agressivas nas redes sociais por parte da empresária e servidora comissionada Fabiana Ribeiro Guimarães, que integra o quadro societário de uma loja de grife no Lago Sul como sócia investidora minoritária, levou a marca de vestuário a se posicionar publicamente.

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Diante do forte impacto negativo e do vínculo com a empresária, a LAGO divulgou uma nota oficial para repudiar veementemente o ocorrido e se distanciar de suas declarações. A empresa esclareceu que Fabiana não atua na gestão da marca e que suas falas possuem caráter estritamente pessoal, não refletindo o posicionamento da loja nem de seus fundadores, além de reafirmar o compromisso institucional de repúdio a qualquer tipo de preconceito, discriminação ou desrespeito às diferenças.

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A polêmica que forçou o posicionamento da loja teve início quando Fabiana Guimarães, que também é servidora comissionada ocupando cargo de direção na Diretoria de Tecnologia e Inovação do Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU) — com vencimentos mensais da ordem de R$ 15 mil —, usou suas redes sociais em tom provocativo para tripudiar de apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e desdenhar de cidadãos que dependem de auxílios governamentais.

Suspeita de incompatibilidade

“Serei sempre a patricinha, empresária e trabalhadora que será contra o PT. Vocês não me representam! Estou pronta para perder seguidores, porque, graças a Deus, não trabalho com isso. Mas quero que vocês sofram tudo o que merecem. Eu sou foda e sempre serei. O meu está garantido. E você, que depende de Bolsa Família e acha que ganhar R$ 5 mil é muito dinheiro, sofra. Porque é isso que você merece”, declarou a servidora em seus stories.

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Além da reação da empresa privada e do repúdio público, o caso ganhou contornos jurídicos e administrativos no âmbito do Governo do Distrito Federal (GDF). A dupla atuação de Fabiana evidencia um potencial conflito de interesses, visto que ela exerce função de direção em um órgão público ao mesmo tempo em que participa da sociedade de uma empresa privada.

Especialistas e analistas apontam que a situação afronta os princípios constitucionais da legalidade, moralidade, impessoalidade e eficiência impostos à Administração Pública pelo art. 37 da Constituição Federal.

Há também fortes indícios de incompatibilidade de carga horária, uma vez que o cargo em comissão exige dedicação integral, compromisso que pode restar prejudicado pela atividade empresarial da servidora. As condutas violam, em tese, a Lei Distrital nº 4.990/2012 (Código de Ética do Servidor Público do DF) e a Lei Federal nº 12.813/2013 (Lei de Conflito de Interesses), que vedam atos que comprometam a imparcialidade e a ética no serviço público.

Metrópoles

Desculpas em perfil fechado

Em nota oficial, o SLU informou que as manifestações foram feitas no perfil pessoal da servidora, em contexto particular, e ressaltou que elas não representam o posicionamento institucional da autarquia nem do GDF. O órgão destacou ainda o seu “compromisso com o respeito, a diversidade e a convivência harmoniosa entre as pessoas”.

Após a forte reação negativa, a perda de apoio e as repercussões nas esferas pública e privada, Fabiana recorreu às suas redes sociais fechadas para se manifestar. Em uma publicação direcionada exclusivamente aos seus 1.375 seguidores, a empresária e servidora comissionada pediu desculpas pelos ataques dirigidos aos beneficiários do Bolsa Família e pelas declarações xenofóbicas contra pessoas nascidas na Bahia.

No comunicado restrito, ela escreveu: “No último dia 25, fiz manifestações nas redes sociais que magoaram pessoas e geraram repercussão. Por isso, venho publicamente reconhecer meu erro e pedir desculpas. Naquele momento, acabei me expressando de maneira impulsiva, com palavras que não refletem os valores que sempre orientaram minha vida”.

“Essa circunstância contextualiza o ocorrido, mas não justifica minhas declarações. Lamento sinceramente ter ofendido ou desrespeitado pessoas com minhas palavras e reconheço que fiz julgamentos precipitados e injustos. Fui criada com princípios de respeito e consideração ao próximo, independente de sua condição social ou posição política. Lamento não ter agido de acordo com esses ensinamentos. Assumo a responsabilidade pelo que publiquei e reafirmo meu compromisso de agir com mais equilíbrio e respeito”, finalizou.

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Deputado do PT pede providências

O deputado distrital Gabriel Magno (PT) encaminhou ofícios à Polícia Civil (PCDF), ao Ministério Público (MPDFT) e ao SLU, exigindo providências sobre o caso da servidora.

Nos documentos enviados à PCDF e ao MP, o parlamentar afirmou que “as manifestações extrapolam os limites da liberdade de expressão, configurando, em tese, crimes de racismo, xenofobia e apologia ao extermínio” e pediu a apuração do caso, com a adoção de “todas as diligências necessárias à plena elucidação dos fatos”.

Já no ofício encaminhado ao SLU, Gabriel Magno pontuou que “a conduta da servidora é inaceitável”, ressaltando que, “enquanto integrante da cúpula do SLU, espera-se da diretora uma postura republicana, tanto em atividades públicas e privadas”.

O deputado distrital pediu ainda o imediato afastamento da servidora de suas funções, além da abertura de procedimento disciplinar para apuração do caso.

SLU se manifesta

Por meio de uma nova nota, o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) informou que, diante dos fatos noticiados, encaminhou o caso à Unidade de Auditoria Interna para avaliação preliminar. “A medida visa verificar a existência de elementos que justifiquem providências administrativas, resguardando a integridade institucional, os deveres éticos e a imagem da Administração Pública”, disse a nota.

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