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O QUE SERÁ DO CAVE?

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DÉLIO ANDRADE
DÉLIO ANDRADEhttp://delioandrade.com.br
Jornalista, sob o Registro número 0012243/DF

Desde 2013, a população guaraense aguarda a recuperação do Complexo Esportivo e Lazer do Cave, depois que o Governo Agnelo promoveu a demolição do estádio para a construção de um novo, obra que apenas foi iniciada e logo depois abandonada, o ginásio coberto teve parte do telhado derrubado pela queda de uma árvore e está interditado desde então, e as quadras poliesportivas foram abandonadas e estão sem condições de uso. Os equipamentos que ainda continuam funcionando estão sendo administrados pela iniciativa privada, mesmo que informalmente, ou mantidos por grupos de voluntários que se cotizam para manter o que usam.
Na penúltima visita da governadora Celina Leão ao Guará, em setembro, ela prometeu recuperar o Complexo, quando foi questionada por eleitores, mas não confirmou se será por conta do governo ou através da concessão à iniciativa privada, projeto que está em gestação há mais de dez anos, mas sem prazo para ser concluído. Enquanto isso, o espaço central de esporte e lazer da cidade continua marcado pela deterioração, apesar de anos de projetos, discussões, promessas e tentativas de viabilizar sua reconstrução.

Teatro de Arena ficou de fora
A primeira tentativa de concessão, com edital lançado em fevereiro de 2022, foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) depois de questionamentos sobre a inclusão do Teatro de Arena no pacote. A possibilidade de transferir o espaço cultural à iniciativa privada provocou reação de artistas e representantes do setor cultural do Guará, que defenderam a permanência do equipamento fora do projeto.
Depois de negociações entre o governo e o movimento cultural, o Teatro de Arena foi retirado da concessão. A solução, porém, não foi suficiente para destravar imediatamente o processo. A necessidade de reorganizar a situação fundiária do complexo e dividir a área em lotes também passou a condicionar a continuidade do projeto.
Em março de 2025, a Câmara Legislativa aprovou o Projeto de Lei nº 1.567/2024, que autorizou a desafetação e o reparcelamento do solo do Cave. A medida abriu caminho para regularizar áreas ocupadas por órgãos públicos, equipamentos esportivos, instituições e espaços de lazer. Dos 20 lotes previstos no novo parcelamento, 17 são destinados a equipamentos públicos, enquanto outros três poderão receber ocupações institucionais públicas ou privadas, conforme as regras urbanísticas.
O governo ainda precisa concluir as etapas técnicas necessárias para retomar a concessão e encaminhar o edital para escolha da empresa responsável. O TCDF arquivou o processo em abril, mas informou que poderá reabri-lo caso seja novamente provocado pelo GDF.

Dayse Amarílio defende solução definitiva
A deputada distrital reeleita Dayse Amarílio, moradora do Guará, que participou das articulações para retirar o Teatro de Arena do projeto de concessão, afirma que a recuperação do Cave deve ser tratada como prioridade para o Guará. Ela defende que o governo considere a possibilidade de executar as obras diretamente, mas cobra rapidez caso a opção seja entregar a gestão à iniciativa privada. “Já levei o assunto à governadora Celina Leão como uma das prioridades para a população do Guará, que é dar uma solução definitiva para a situação do Cave, que está parcialmente sem uso há 13 anos. Defendo, se possível, que o complexo seja reformado pelo governo e colocado à disposição da comunidade. Como deputada distrital reeleita, me proponho a apresentar emendas parlamentares para viabilizar a recuperação. Mas, se o governo decidir pela concessão, que resolva logo e, conforme o prometido, franquear o uso para a comunidade mais carente”, afirma.
A preocupação da parlamentar é que a disputa em torno do modelo de gestão não prolongue ainda mais o abandono de uma área que poderia atender crianças, jovens, atletas, idosos e famílias do Guará.

Administração Regional aposta em obras por etapas
O administrador regional do Guará, Artur Nogueira, também defende que o governo assuma a recuperação do complexo. Para ele, seria possível começar pelos equipamentos que exigem intervenções mais urgentes e avançar gradualmente, conforme a disponibilidade de recursos. “Acabamos de reformar a Arena Guará com pouco mais de R$ 1 milhão. Poderíamos começar pela recuperação do Ginásio Coberto, que não ficaria tão caro. E iríamos reformando os outros espaços aos poucos”, afirma.
A proposta contrasta com o modelo de concessão, que prevê a modernização de diferentes equipamentos em um projeto integrado, com investimentos privados e exploração comercial de parte das estruturas. A escolha entre os dois caminhos continua sendo uma das principais questões para o futuro do Cave.
Um abandono que começou há mais
de uma década
O problema remonta a 2013, quando o governo de Agnelo Queiroz iniciou a demolição do antigo estádio para construir uma nova estrutura. A obra chegou a ser licitada e iniciada, mas foi interrompida depois que a empresa responsável identificou problemas nos cálculos de custos e nos estudos geológicos do terreno. Sem acordo para rever o orçamento, a empreiteira abandonou o serviço.
Anos depois, surgiu a proposta de concessão à iniciativa privada, diante da falta de recursos públicos e das dificuldades de gestão do complexo. O edital chegou a ser lançado, mas a inclusão do Teatro de Arena provocou a suspensão do processo. Resolvida essa divergência, o parcelamento da área passou a ser mais um obstáculo.
Agora, com a reorganização fundiária aprovada e a retirada do Teatro de Arena do projeto, o governo tem condições de avançar na definição do modelo de recuperação. Resta transformar as providências administrativas em obras concretas.
Enquanto as decisões não chegam, o Guará continua sem um estádio em condições de receber partidas, sem um ginásio coberto adequado e sem quadras poliesportivas plenamente utilizáveis no principal complexo esportivo da cidade. Depois de tantos anos de espera, a cobrança da comunidade é para que a promessa de recuperação finalmente saia do papel.

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