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Chefão de “consórcio do tráfico” tirava onda no DF desfilando de Rolex

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DÉLIO ANDRADE
DÉLIO ANDRADEhttp://delioandrade.com.br
Jornalista, sob o Registro número 0012243/DF
Na Mira

Coleção de relógios de luxo suíços expõe a vaidade e o poder financeiro de líder do “consórcio do tráfico” desmantelado no DF pela polícia

Reprodução
relógio Rolex

A vaidade e o desejo de ostentar poder pelas ruas do Distrito Federal ajudaram a desenhar o perfil de um dos alvos da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) preso nessa sexta-feira (23/10). O criminoso, apontado como uma das mentes por trás de um elaborado “consórcio do tráfico”, exibia no pulso uma valiosa coleção de máquinas de precisão suíças, entre elas, um Rolex avaliado em cerca de R$ 40 mil.

As peças importadas eram utilizadas pelo traficante como verdadeiro símbolo de riqueza e status na capital federal.

O luxo exibido nos pulsos, no entanto, bateu de frente com a ofensiva coordenada pela 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte). A PCDF deflagrou a Operação Consortium para desarticular a organização criminosa responsável por abastecer revendedores locais com entorpecentes vindos de outros estados.

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Ao todo, os agentes cumpriram 14 mandados de busca e apreensão em Samambaia, Sol Nascente e Taguatinga. Quatro homens já identificados como integrantes do grupo foram os alvos centrais da ação, que busca asfixiar o braço financeiro e logístico do esquema.

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Veja a coleção de relógios:

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Metrópoles

Controle do tráfico

O fio da meada começou a ser puxado em junho de 2025, quando a equipe da 26ª DP prendeu um homem que controlava a venda de drogas nas quadras 621 e 623 de Samambaia. A perícia e a análise do material apreendido naquela ocasião revelaram que o suspeito era apenas a ponta de um iceberg: a droga vendida no bairro vinha de uma rede estruturada e com grande capacidade de articulação financeira e logística.

A engenharia do chamado “consórcio da droga” funcionava em quatro etapas bem definidas. Primeiramente, ocorria o rateio de custos, onde traficantes locais transferiam recursos a um núcleo encarregado da compra e logística.

Em seguida, na aquisição externa, o grupo comprava entorpecentes fora do DF e organizava o transporte rodoviário. Como suporte, chácaras estratégicas em Samambaia e Sol Nascente serviam como pontos de apoio para guardar a droga com segurança. Por fim, no rateio dos lucros, o produto era fracionado e repassado aos “sócios” do consórcio para distribuição e venda final.

Lavagem de dinheiro

Além do armazenamento físico em chácaras da periferia, a investigação trouxe à tona um sofisticado mecanismo de lavagem de dinheiro. Para ocultar a origem do capital ilícito e quitar dívidas com fornecedores de fora do DF, o bando utilizava empresas de fachada.

Uma das empresas sob investigação — registrada formalmente como uma loja de peças automotivas — chamou a atenção dos peritos ao movimentar R$ 1,3 milhão em apenas dois meses. A fiscalização no local confirmou as suspeitas: o endereço não possuía sede física nem estrutura compatíveis com o volume de vendas declarado, servindo exclusivamente como ponte para ocultação de bens e valores.

Os envolvidos responderão pelos crimes de tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as condenações podem variar de 11 a 33 anos de reclusão.

Em nota, a Polícia Civil do Distrito Federal ressaltou que a Operação Consortium reforça a diretriz da corporação de asfixiar o poder econômico do crime organizado, desmantelando não apenas a distribuição nas pontas, mas a engrenagem financeira que sustenta o narcotráfico na capital.

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