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Pamela Águia e as bandeiras da segurança

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DÉLIO ANDRADE
DÉLIO ANDRADEhttp://delioandrade.com.br
Jornalista, sob o Registro número 0012243/DF

A candidata a deputada federal Pamela Águia, do MDB, recebeu o Jornal do Guará para uma entrevista sobre sua trajetória pessoal e profissional, a entrada na política e as principais propostas que pretende defender. Policial rodoviária federal, professora de língua portuguesa e influenciadora nas redes sociais, ela afirma que sua campanha está estruturada principalmente em três áreas: segurança, educação e saúde.
O nome pelo qual ficou conhecida surgiu ainda na juventude. Escoteira, Pamela fazia parte da Patrulha Águia e passou a utilizar a palavra junto ao primeiro nome quando criou seu endereço de e-mail. Posteriormente, manteve a identificação nas redes sociais. “Eu sempre gostei muito do animal, do simbolismo da águia, e acabou ficando Pamela Águia”, contou.
Aos 43 anos, a candidata nasceu na Academia Nacional de Polícia, em Brasília, onde o avô, armeiro da Polícia Federal, trabalhava e morava com a família. Durante a infância, passou por Sobradinho e pelo Gama antes de se mudar para Valparaíso de Goiás, onde viveu boa parte da juventude.

Trajetória
Pamela relata que começou a trabalhar aos 11 anos, depois que o pai deixou a família. Atuou no comércio até os 17 anos e, aos 18, passou a trabalhar como terceirizada na Polícia Rodoviária Federal (PRF), exercendo a função de secretária.
Foi nesse período que, segundo ela, uma situação de assédio moral despertou a decisão de prestar concurso para a própria instituição. Após um desentendimento com um superior, decidiu deixar o trabalho e afirmou que retornaria à PRF como policial. Dedicou-se aos estudos durante cerca de três meses e foi aprovada no concurso.
Pamela tomou posse como policial rodoviária federal em dezembro de 2005 e soma mais de duas décadas de atuação na instituição. A experiência profissional também teve influência direta em sua decisão de entrar para a política.
Segundo a candidata, uma nova situação de assédio moral dentro da instituição, posteriormente denunciada à Controladoria-Geral da União e ao Ministério Público Federal, fez com que passasse a enxergar a atividade política como um caminho para ampliar sua capacidade de atuação.
Antes da candidatura, ela já havia sido procurada por partidos em razão de sua presença nas redes sociais. Atualmente, reúne mais de 100 mil seguidores no Instagram, espaço em que aborda temas variados, como língua portuguesa, concursos públicos, relacionamentos e aspectos de sua rotina profissional.
A aproximação com o público começou a crescer em 2016, quando Pamela atuava na área de comunicação social e participava de entrevistas para veículos de imprensa. Segundo ela, muitas mulheres passaram a procurá-la para conhecer melhor a rotina de uma policial e buscar informações sobre o ingresso em carreiras de segurança pública.
Professora de língua portuguesa, ela também passou a utilizar as redes para oferecer conteúdos educacionais. Durante a pandemia, realizou transmissões com aulas voltadas principalmente a candidatos de concursos públicos.

Propostas
“Tenho pautas consideradas de direita e pautas consideradas de esquerda”, afirmou. Para ela, a polarização política dificulta o debate de determinados temas e a escolha pelo MDB permitiria manter posições próprias em áreas como segurança pública e políticas sociais.
Na campanha, Pamela defende que segurança, saúde e educação sejam tratadas de maneira integrada. Um dos exemplos apresentados por ela é a situação da população em situação de rua. Na avaliação da candidata, dificuldades de acesso a atendimento psicológico e psiquiátrico, dependência química, problemas familiares e ausência de políticas preventivas podem contribuir para situações de vulnerabilidade que acabam também alcançando a área de segurança pública.
Na saúde, uma das propostas é fortalecer a atenção preventiva e ampliar nacionalmente a atuação das equipes de saúde da família. Pamela argumenta que o acompanhamento próximo da população pode contribuir para identificar problemas antes que se tornem mais graves e reduzir a demanda por atendimentos especializados.
Na educação, a candidata defende a ampliação do ensino em tempo integral e a adoção de horários estendidos. Para ela, a medida teria impacto especialmente sobre famílias nas quais os responsáveis trabalham durante todo o dia e sobre mães que criam os filhos sozinhas.
A proposta prevê ainda a inclusão de conhecimentos relacionados a direitos, deveres e economia na formação dos estudantes. Na avaliação de Pamela, a escola não deve preparar os jovens apenas para exames, vestibulares ou concursos, mas também oferecer conhecimentos práticos para a vida adulta.
Ela defende que os estudantes tenham contato com noções de cidadania, funcionamento das instituições públicas, educação financeira e possibilidades profissionais. No contraturno, a candidata propõe ampliar o acesso a atividades esportivas, culturais e tecnológicas.
Pamela considera que esse investimento também pode funcionar como política de prevenção à criminalidade. Para ela, a ausência de oportunidades deixa adolescentes e jovens mais expostos ao recrutamento por organizações criminosas, que podem oferecer dinheiro, poder ou formação em determinadas atividades como forma de atração.
A candidata sustenta que o poder público precisa ocupar esse espaço por meio da educação, da qualificação e da criação de perspectivas profissionais. “O Estado precisa oferecer a esse jovem a possibilidade de conseguir, de maneira digna, o próprio sustento e o sustento da família”, afirmou.

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