Os estragos causados pelo temporal, nessa quarta-feira (16/9), afetaram moradores e comerciantes em Arapoanga, Planaltina e Samambaia
17/09/2026 08:59
, atualizado 17/09/2026 09:00

Os estragos causados pelo temporal no Distrito Federal nessa quarta-feira (16/9) deixaram pessoas desabrigadas, após rajadas de ventos arrancarem telhas e derrubarem muros de residências da capital, como foi o caso de Juliana Sousa Santos, moradora do bairro Nossa Senhora de Fátima, em Arapoanga (DF). A dona de casa conta que sua residência foi totalmente destruída (imagem em destaque) e o temporal fez ela “perder tudo”.
“Perdi tudo. Não tenho mais nada. Não deu nem para resgatar meus documentos e materiais das minhas crianças, que acabaram não indo para escola por causa disso [falta dos materiais]”, disse.
Ela relata ainda que, assim que começou a chuva forte, um vento muito rápido veio acompanhado. Nesse momento, Juliana relata que estava com as crianças e o marido quando, de repente, o vento começou a “levar tudo”.
“Meu desespero foi grande, porque eu saí no meio da rua, corri e me abriguei na casa de uma vizinha, que a casa dela é de tijolo. Porém, a minha [casa] já foi toda sendo puxada imediatamente”, detalhou.
“Só começamos a orar”
Ao Metrópoles, uma outra moradora da região, identificada como Roselma Martins Lima, que vive no assentamento Terra Nova, também disse que os estragos da chuva em sua residência aconteceram de maneira “muito rápida”.
“Não deu tempo de fazer nada. Eu estava junto dos meus quatros filhos e dois netos em casa [durante o temporal]. Quando percebemos a chuva forte, um poste já havia caído, enquanto o telhado de casa estava desmoronando, disse.
Roselma relata que ela e a família chegaram a temer que o temporal pudesse atingir diretamente algum deles.
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“Nós só começamos a orar e graças a Deus não aconteceu nada. Mas é um milagre [não ter atingido a família], porque o poste caiu dentro do lote bem na minha porta da área”, destacou.
Após os estragos, Roselma e a família foram encaminhados à administração regional de Arapoanga ainda na noite da quarta-feira (16), onde permanecem até manhã desta quinta-feira (17/9).
“A gente agora está aguardando para saber se iremos poder voltar para casa e entender como que vai ser [retorno à residência], porque os eucaliptos [próximos da casa] correm risco de cair”, explicou.
Alguns moradores precisaram deixar suas residências e estão na Administração Regional de Arapoanga. De acordo com o administrador regional Sérgio Araújo, pelo menos 11 pessoas foram abrigadas na administração da região.
Segundo o Corpo de Bombeiros, por causa do risco, as residências atingidas ou localizadas em áreas consideradas de perigo serão interditadas preventivamente. Os imóveis permanecerão interditados até que sejam adotadas medidas para eliminar ou reduzir os riscos identificados. A Defesa Civil atua na cidade desde quarta-feira para verificar as localidades de maior risco.
Áreas afetadas
Em Arapoanga, as rajadas de vento e granizo levaram telhados e derrubaram muros, árvores e postes. Segundo o administrador regional Sérgio Araújo, foram registrados postes caídos na DF-130 e casas afetadas, principalmente, no assentamento Terra Nova e nos bairros Favelinha e Nossa Senhora de Fátima.
Em Planaltina, a situação foi semelhante, com ventos intensos que provocaram estragos e prejudicaram comerciantes e moradores. Uma oficina na cidade ficou sem telhado, muros e paredes, e destroços caíram em cima dos veículos que estavam no local.

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Diversas árvores caíram durante o temporal
Luisa Rany/Metrópoles

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Pelo menos 11 pessoas ficaram desabrigadas após as fortes chuvas
Luisa Rany/Metrópoles

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A fiação elétrica ficou comprometida em diversos pontos
Luisa Rany/Metrópoles

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Casas ficaram destelhadas e com muros caídos
Luisa Rany/Metrópoles

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A Neoenergia teve que dobrar o efetivo de eletricistas
Luisa Rany/Metrópoles

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Estrutura derrubada por causa da chuva em Arapoanga
Reprodução / @plannewss

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Parede de oficina caiu sobre os carros
Reprodução / @plannewss

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Chuva no Arapoanga
Reprodução / @plannewss
Em Samambaia, moradores e comerciantes também registraram a chuva de granizo e os estragos provocados pelo temporal. O vento forte, acompanhado de trovoadas, assustou as pessoas que estavam na região.
Algumas casas ficaram destelhadas devido à força da chuva e dos ventos. Em um ponto rodoviário, as rajadas foram registradas em vídeos. Motoristas do transporte público e até um cachorro precisaram buscar abrigo em área coberta para se protegerem do temporal.
Força-tarefa
Uma força-tarefa foi iniciada pelos órgãos do Governo do Distrito Federal (GDF) para conter os danos nas cidades, com equipes das administrações regionais, Defesa Civil e da Neoenergia. A governadora Celina Leão sobrevoou áreas atingidas em Arapoanga no início da manhã desta quinta-feira (17/9) e anunciou um centro de operações.
A Neoenergia informou que o dobro do efetivo de eletricistas foi mobilizado e está em campo para realizar a reconstrução da rede elétrica e recompor o fornecimento de energia aos clientes afetados, com o restabelecimento ocorrendo de forma gradativa e segura para a população.
Rajada de vento de 84,24 km/h
As rajadas de vento que atingiram o Distrito Federal durante temporal chegaram atingir 84,24 km/h, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O valor em questão foi registrado na estação meteorológica do Gama (DF).
Depois dos 84,24 km/h registrados no Gama, as maiores rajadas ocorreram nas estações de Planaltina (35,3 km/h), Paranoá (33,5 km/h), Brazlândia (27,72 km/h) e Plano Piloto (27,33 km/h).
A estação do Gama também registrou o maior volume acumulado de água, com 24,8 milímetros de chuva, seguido das estações de Planaltina (11,6 mm) e Brazlândia (8,2 mm). As estações do Plano Piloto e Paranoá não registraram valor acumulado.
Após forte temporal, a capital tem previsão para que as chuvas diminuam nesta quinta-feira (17/9). De acordo com Inmet, a previsão é de que haja chuvas isoladas na capital ao longo do dia, com umidade do ar variando entre 95% e 35%, somado a temperatura mínima de 18° C e máxima de 31° C.
Até o momento da publicação desta reportagem, a capital não se encontra em alerta de risco de tempestade.
