Equipamentos de proteção com o emblema do Departamento de Trânsito do DF (Detran) foram apreendidos em duas ações recentes no DF e Entorno

Uma intrigante e perigosa coincidência colocou as forças de segurança do Distrito Federal e de Goiás em alerta máximo nos últimos dias. Operações policiais recentes resultaram na apreensão de coletes balísticos carregando a identificação oficial do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) em posse de criminosos de alta periculosidade.
O caso mais recente ocorreu durante uma ação da Polícia Civil de Goiás (PCGO), na qual o suspeito alegou ter adquirido a blindagem corporal de um usuário de drogas na região de Taguatinga Agora, investigadores buscam responder à pergunta central: como equipamentos estratégicos de proteção de servidores públicos foram parar nas mãos do crime organizado no Entorno da capital?
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Na última terça-feira (29/9), o Grupo Especial de Investigação Criminal (GEIC) de Luziânia (PCGO) deflagrou a Operação Pré-Eleição no bairro Parque Santa Rita de Cássia, em Valparaíso de Goiás (GO). A investida mirou um casal — um homem de 37 anos e uma mulher de 38 — que comandava um estruturado esquema de venda e entrega de entorpecentes no modelo delivery.
Abordagem e fuga
A gravidade do ponto de venda chamou atenção: a comercialização de drogas ocorria nas imediações de uma escola municipal e de uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Na tentativa de abordagem, a dupla ainda tentou fugir, mas foi contida pelos agentes.
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No local, os policiais encontraram um verdadeiro arsenal e aparato logístico para o crime:
- 20 kg de maconha e dezenas de porções de cocaína;
- Prensa hidráulica de 10 toneladas e balanças de precisão;
- R$ 6.082 em espécie e duas motocicletas para distribuição;
- Pistola calibre 9mm com carregadores estendidos e espingarda .22 equipada com luneta, além de 170 munições intactas;
- Um colete balístico completo com a marca do Detran-DF.
Vendido por usuário
Outro detalhe chamou a atenção dos investigadores da PCGO: o estado do equipamento. Fabricado em 2022, o colete está com a blindagem perfeitamente operacional e validade vigente até 2028. Em depoimento prestado à polícia, o suspeito afirmou ter comprado o item de proteção diretamente das mãos de um usuário de drogas em Taguatinga (DF).
O casal responderá por tráfico de drogas, associação para o tráfico, posse ilegal de arma de fogo de uso permitido e restrito, e receptação qualificada. O episódio em Valparaíso não foi isolado.
Semanas antes, no dia 10 de setembro, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) já havia se deparado com situação semelhante durante a Operação Eclipse, realizada na região administrativa de Santa Maria (DF).
A ação começou nos céus. Por meio do monitoramento com drone, a equipe da PMDF visualizou uma movimentação suspeita característica da venda de entorpecentes. Ao abordarem um homem na área, os policiais encontraram porções de cocaína. O próprio suspeito indicou a existência de armas em sua residência.
Com a autorização do proprietário, a busca no imóvel revelou:
- 12 porções de substância análoga à cocaína;
- Uma espingarda calibre .28 e R$ 22 em dinheiro;
- Dois coletes balísticos, sendo um deles com a identificação do Detran-DF.
O homem foi preso e encaminhado à 20ª Delegacia de Polícia (Gama). Apurações preliminares indicaram a hipótese de que este exemplar específico apreendido em Santa Maria pudesse ser uma réplica/falsificação, e que o detido não possuía qualquer vínculo funcional com a autarquia de trânsito.
Posição do Detran
Procurado para esclarecer como equipamentos de uso restrito estão sendo interceptados com traficantes, o Departamento de Trânsito do DF informou, em nota oficial, que ainda não é possível confirmar a autenticidade ou a origem dos coletes balísticos apenas com base nas imagens divulgadas pelas corporações policiais.
“O órgão está verificando internamente as características e os registros dos equipamentos para esclarecer se pertencem ao patrimônio do Detran-DF e, em caso positivo, identificar a origem e as circunstâncias em que teriam deixado o patrimônio da autarquia.”
A Polícia Civil do DF e a Polícia Civil de Goiás trabalham em conjunto no cruzamento de dados de inventário, séries de fabricação e depoimentos para apurar se os casos envolvem extravio, furto, roubo de patrimônio público ou a ação de redes clandestinas de falsificação e receptação no Distrito Federal.
