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Psicóloga diz ter recebido pedidos para barrar petistas em contratações

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DÉLIO ANDRADE
DÉLIO ANDRADEhttp://delioandrade.com.br
Jornalista, sob o Registro número 0012243/DF
Na Mira

A psicóloga defendeu se tratar de uma questão de valores e não ideológica; as declarações foram repudiadas pelo Conselho de Psicologia

Reprodução / Redes sociais
Psicóloga fala de critério de contratação:

Um vídeo publicado pela psicóloga goiana Mara Suassuna (imagem em destaque), nessa segunda-feira (26/10), repercutiu nas redes sociais após ela afirmar ter recebido mensagens de empresários que desejam selecionar novos funcionários com base no critério de “não ser petista”, após o resultado das eleições 2026. “Recebi vários telefonemas e mensagens de empresários, inclusive, pedindo para selecionar novos colaboradores, cujo o critério passa por não ser petista. Não é uma questão de ideologia política, mas de valores”, afirmou.

Veja: 

Na publicação, Mara, que tem uma empresa de recursos humanos para prospecção, recrutamento e seleção de funcionários, reforçou que a questão vai além da ideologia política.

“Os valores são fundamentais para que as escolhas sejam feitas. Empresários, CEOs de empresas e pessoas que estão gerando as riquezas do Brasil têm que se preocupar sim em contratar pessoas com os mesmos valores”, destacou.

No vídeo, a psicóloga ainda relatou como se sentiu após o resultado eleitoral. “Só agora que eu consegui me restabelecer desse golpe de ontem [domingo], das nossas eleições. Confesso que fiquei entristecida, revoltada e muito desesperançosa com o futuro do nosso Brasil”, diz.

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Após o vídeo circular nas redes sociais, a psicóloga fechou o Instagram. A coluna Na Mira tenta localizar a defesa de Mara Suassuna. O espaço segue aberto para posicionamentos.

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Conselho de Psicologia repudia discriminação política

Em nota publicada nas redes sociais, o Conselho Regional de Psicologia da 9ª Região (CRP-09) informou que tomou conhecimento do vídeo, amplamente divulgado nas redes sociais e na imprensa, no qual se defende a adoção de critérios político-partidários em processos de seleção profissional.

O conselho repudiou qualquer forma de discriminação no acesso ao trabalho, inclusive por convicção política. Segundo o órgão, essa prática é vedada pela Constituição Federal, pela Convenção nº 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil, e pela Lei nº 9.029/1995.

O CRP-09 também ressaltou que o Código de Ética Profissional do Psicólogo estabelece que a psicologia deve contribuir para a eliminação de todas as formas de discriminação. O documento proíbe profissionais da área de praticar ou ser coniventes com atos discriminatórios, assim como de induzir convicções políticas ou ideológicas no exercício profissional.

De acordo com o conselho, processos de recrutamento e seleção conduzidos por psicólogos devem se basear exclusivamente em critérios técnicos relacionados às exigências do cargo, sem considerar a orientação política, partidária ou ideológica dos candidatos.

“O conhecimento psicológico não pode ser instrumentalizado para legitimar a exclusão de pessoas”, destacou a entidade.

Diante do caso, o CRP-09 informou que adotará as providências cabíveis e encaminhará a situação para apuração, conforme o Código de Processamento Disciplinar.

O conselho acrescentou que os procedimentos disciplinares tramitam em sigilo, nos termos do artigo 15 da Resolução CFP nº 11/2019, com garantia do contraditório e da ampla defesa. Por esse motivo, não divulgará outras informações sobre o caso.

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