A governadora Celina Leão (PP) chega ao segundo turno das eleições com uma vantagem expressiva na Região do Guará. No primeiro turno, ela recebeu 47.927 votos na 9ª Zona Eleitoral, o equivalente a 47,94%, enquanto Leandro Grass (PT) conquistou 36.309 votos, ou 36,32%. A diferença de 11.618 votos indica a continuidade da preferência por candidaturas de direita, que ganhou força na comunidade guaraense a partir de 2018 e voltou a se repetir nas eleições de 2022.
O resultado reforça uma mudança no comportamento eleitoral do Guará ao longo das últimas décadas. Entre 1990 e 2014, a cidade apresentava uma tendência favorável a candidatos identificados com a esquerda, com votações expressivas para nomes como Lula, Cristovam Buarque, Agnelo Queiroz e Rodrigo Rollemberg. A mudança mais evidente ocorreu em 2018, quando Jair Bolsonaro recebeu 55.669 votos na 9ª Zona, equivalentes a 57,5%, superando com ampla vantagem os demais candidatos à Presidência.
Em 2022, Bolsonaro voltou a liderar 9ª Zona Eleitoral do Guará, com 31.509 votos, contra 19.602 de Lula, uma diferença de 11.907 votos. Na disputa pelo Governo do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) também abriu vantagem sobre Leandro Grass, recebendo 46.059 votos, diante de 29.096 do adversário. Naquela eleição, Grass alcançou 28,99% dos votos, percentual que subiu para 36,32% em 2026. Embora continue atrás da candidata governista, o crescimento de 7,33 pontos percentuais mostra que o petista ampliou sua participação na votação entre os moradores da cidade.
A diferença entre os dois principais candidatos ao governo também diminuiu. Em 2022, Ibaneis superou Grass por 16.963 votos na 9ª Zona. Neste ano, Celina terminou o primeiro turno com 11.618 votos de vantagem, uma redução de 5.345 votos na distância entre o primeiro e o segundo colocados. A comparação mostra que a candidatura de centro-direita permanece à frente, mas a disputa apresenta uma diferença menor do que a registrada quatro anos antes.
A 9ª Zona Eleitoral abrange o Guará I e o Guará II, que tem 91% do total, enquanto 9% são de eleitores que moram na Estrutural. Por isso, os resultados não representam exclusivamente os moradores do Guará, embora sejam uma referência importante para acompanhar o comportamento eleitoral da cidade e das áreas próximas.
No conjunto do Distrito Federal, Celina também terminou o primeiro turno à frente, com 825.530 votos, correspondentes a 49,93% dos votos válidos. Leandro Grass recebeu 569.930 votos, ou 34,47%. A governadora ficou próxima de vencer a eleição ainda na primeira votação, mas não alcançou a maioria necessária, levando a disputa para o segundo turno de 25 de outubro.
A disputa no segundo turno
A vantagem registrada no primeiro turno coloca Celina em uma posição inicial mais favorável entre os eleitores da 9ª Zona. Para manter a liderança, a governadora precisará conservar sua base de votos, enquanto Grass terá de ampliar seu apoio entre os eleitores que escolheram outros candidatos ou não compareceram à primeira votação. No primeiro turno, a abstenção na região do Guará chegou a 25.212 eleitores, equivalentes a 18,81% do eleitorado apto a votar, enquanto 3.889 votaram em branco e 4.990 anularam o voto.
O comportamento dos eleitores que não apoiaram nenhum dos dois candidatos também poderá alterar a distribuição dos votos no segundo turno. No Distrito Federal, Paula Belmonte (PSDB) terminou em terceiro lugar, com 8,51% dos votos, seguida por Kiko Caputo (Novo), com 4,36%, e Ricardo Cappelli (PSB), com 2,23%. A transferência desse eleitorado não é automática e poderá ocorrer de maneira diferente entre as regiões do DF.
A votação de 2026 mantém, portanto, um padrão que começou a se desenhar há oito anos, quando candidatos de direita passaram a obter maior apoio no Guará nas disputas majoritárias. Ao mesmo tempo, o crescimento da votação de Grass indica que a esquerda continua com presença significativa na 9ª Zona. A vantagem de Celina no primeiro turno é um dado concreto, mas sua manutenção dependerá do comparecimento e das escolhas dos eleitores na votação de domingo, 25 de outubro.
Nas eleições legislativas, a esquerda avança
Se a direita manteve a vantagem na disputa pelo Governo do Distrito Federal, o resultado foi diferente nas eleições para deputado federal e distrital. Candidatos de esquerda e centro-esquerda apareceram entre os mais votados na 9ª Zona Eleitoral, enquanto os votos de direita ficaram distribuídos entre diversas candidaturas. O contraste mostra que a preferência por Celina Leão não se traduziu automaticamente em apoio aos candidatos de seu campo político nas disputas legislativas.
Para deputado federal, Fábio Felix (PSOL) foi o mais votado na região, com 15.697 votos, superando inclusive a soma dos votos recebidos pelos quatro candidatos identificados com o Guará. Entre eles, Izalci Lucas (PL), eleito deputado federal, conquistou 6.737 votos na 9ª Zona. Na disputa pela Câmara Legislativa, Max Maciel (PSOL) liderou com 5.578 votos, seguido por outros nomes de esquerda e centro-esquerda, como Múcio (PSB), com 3.905 votos, e Gabriel Magno (PT), com 3.220. Keka Bagno (PSOL) também teve votação expressiva, com 3.148 votos.
A deputada Dayse Amarilio (PSB), reeleita para a Câmara Legislativa e uma das representantes políticas ligadas ao Guará, recebeu 3.084 votos dos eleitores guaraenses. A presença desses candidatos entre os mais votados contrasta com a disputa pelo governo e evidencia um eleitorado que distribui suas escolhas entre diferentes posições políticas, dependendo do cargo em disputa.
A quantidade de candidaturas de direita pode ter contribuído para a dispersão dos votos desse campo político, embora os resultados individuais não sejam suficientes para estabelecer essa relação como causa única. O desempenho de Fábio Felix, Max Maciel e outros candidatos de esquerda mostra que esse grupo mantém capacidade de mobilização na região, mesmo diante da vantagem de Celina na eleição majoritária.
O resultado revela um cenário eleitoral mais complexo do que a simples divisão entre esquerda e direita. O Guará chega ao segundo turno com vantagem para a candidatura de centro-direita ao governo, mas também com votações expressivas para representantes de esquerda no Legislativo. Essa combinação indica que a mudança iniciada em 2018 permanece visível nas eleições majoritárias, sem representar uma preferência uniforme dos eleitores em todas as disputas.

