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Guará inicia combate à dengue

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DÉLIO ANDRADE
DÉLIO ANDRADEhttp://delioandrade.com.br
Jornalista, sob o Registro número 0012243/DF
Agente de Vigilância Ambiental instalando uma ovitrampa ou orientando moradores durante visita domiciliar. Legenda: Armadilhas e inspeções ajudam a identificar a presença do mosquito e a orientar as ações de prevenção nas quadras do Guará

Com a chegada do período de chuvas, estão sendo intensificadas as ações de prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da zika e da Chikungunya no Guará. O trabalho começa pelo mapeamento de áreas com possíveis focos, passa pela limpeza de espaços públicos e pelo monitoramento de imóveis e inclui atividades de conscientização para evitar a proliferação do inseto.
O Núcleo de Vigilância Ambiental utiliza drones para identificar pontos de acúmulo de lixo, recipientes e locais que possam favorecer a formação de criadouros. Quando os problemas são encontrados em áreas públicas, as informações são encaminhadas à Administração Regional do Guará, responsável por providenciar a limpeza e a retirada dos materiais que possam acumular água.
A estratégia busca antecipar a identificação de situações de risco, especialmente em locais onde o descarte irregular de resíduos e a água parada podem contribuir para a reprodução do mosquito. O monitoramento aéreo também ajuda as equipes a localizar pontos que nem sempre são facilmente identificados durante as inspeções realizadas no solo.

Drone utilizado no monitoramento de áreas com possíveis focos do mosquito. Legenda: O levantamento aéreo ajuda a identificar pontos de risco e orientar a limpeza de áreas públicas pela Administração Regional

Armadilhas ajudam a mapear a infestação
Além do trabalho nas ruas, a Vigilância Ambiental monitora a presença do mosquito dentro das áreas residenciais por meio das ovitrampas, armadilhas instaladas em imóveis selecionados conforme os indicadores epidemiológicos. Os equipamentos permitem identificar a presença de ovos do Aedes aegypti e ajudam a mapear as regiões com maior circulação do inseto.
As armadilhas são compostas por pequenos recipientes com água e uma paleta de madeira ou fibra na qual as fêmeas depositam os ovos. O material é recolhido periodicamente pelos agentes e encaminhado para análise. Os resultados ajudam a identificar as quadras que precisam de atenção prioritária e a direcionar as ações de prevenção e controle.
A chefe do Núcleo de Vigilância Ambiental do Guará, Roberta Ferreira Mourão, explica que a recusa de parte dos moradores em permitir a entrada dos agentes dificulta o monitoramento. A resistência pode estar relacionada à preocupação com a segurança ou à falta de informação sobre o funcionamento dos equipamentos. “Se a recusa persiste em toda a região, não temos poder legal para obrigar a instalação. Por isso, é fundamental que a população compreenda a importância desse trabalho e colabore”, explica Roberta.
Quando um morador não autoriza a instalação, as equipes procuram outro imóvel nas proximidades, dentro de um raio de 300 metros. A mudança, no entanto, nem sempre é suficiente para garantir a cobertura necessária, principalmente quando outras residências também recusam a visita.
Roberta destaca que o monitoramento é uma ferramenta importante para antecipar possíveis aumentos da infestação. “O sistema das ovitrampas nos ajuda muito a prevenir surtos de dengue na nossa cidade. A colaboração da população é essencial para manter a situação sob controle”, afirma.
As armadilhas recebem tratamento para impedir o desenvolvimento das larvas e não representam risco aos moradores quando utilizadas e acompanhadas pelos profissionais responsáveis. A coleta periódica permite verificar a quantidade de ovos encontrada e identificar as áreas que demandam maior atenção.

A conscientização dos moradores é considerada uma das etapas mais importantes do combate à proliferação do mosquito transmissor

Escolas e residências também entram na prevenção
O combate ao mosquito inclui ações em escolas, com atividades de orientação e medidas de controle, entre elas o borrifamento previsto nas unidades atendidas pela operação. A iniciativa busca reduzir os riscos nos ambientes escolares e reforçar a prevenção em locais frequentados diariamente por crianças, estudantes e profissionais da educação.
A conscientização também é levada às residências, onde os agentes orientam os moradores sobre os cuidados necessários para evitar a formação de criadouros. A prevenção depende de medidas simples, como manter caixas-d’água fechadas, limpar calhas, guardar garrafas de cabeça para baixo, eliminar recipientes sem uso e verificar vasos de plantas e outros objetos que possam acumular água.
A atuação dos agentes é intensificada no período de chuvas e calor, quando as condições ambientais favorecem a reprodução do mosquito. Durante as visitas, os profissionais verificam possíveis focos, orientam os responsáveis pelos imóveis e esclarecem dúvidas sobre as formas de prevenção.
A dificuldade de acesso a algumas residências, porém, representa um obstáculo para a fiscalização. Como muitos criadouros estão em quintais, recipientes e áreas particulares, as equipes nem sempre conseguem identificar ou eliminar os focos sem a autorização dos moradores. Por isso, a colaboração da comunidade é considerada parte fundamental da estratégia.

Combate depende de ação conjunta
O trabalho da Vigilância Ambiental, da Administração Regional e das equipes de saúde busca combinar identificação de riscos, limpeza urbana, monitoramento e orientação à população. Enquanto o poder público atua nos espaços coletivos e acompanha os indicadores de infestação, os moradores precisam manter os imóveis livres de condições favoráveis à reprodução do mosquito.
A experiência dos agentes mostra que a prevenção exige cuidados permanentes. A eliminação de um foco não impede que outro se forme poucos dias depois, caso recipientes voltem a acumular água. Por isso, a recomendação é reservar alguns minutos da rotina para verificar quintais, jardins, áreas de serviço e locais pouco utilizados.
Com o avanço das chuvas, a identificação precoce dos pontos de risco e a redução dos criadouros tornam-se ainda mais importantes. O uso de drones e ovitrampas amplia a capacidade de monitoramento, mas os resultados dependem também do acesso dos agentes aos imóveis e da manutenção dos cuidados dentro de cada residência.
A campanha reforça que o combate à dengue não se limita às ações de limpeza e fiscalização. A prevenção exige trabalho contínuo do poder público, participação das equipes de saúde e envolvimento dos moradores para evitar que água parada e resíduos se transformem em criadouros do Aedes aegypti.

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