Fala ocorreu após distrital Estéfane Sampaio ir a uma escola no Gama denunciar que um aluno estava sendo perseguido por ser de direita

O deputado distrital, Gabriel Magno (PT), em entrevista ao Metrópoles nesta quarta-feira (20/10), afirmou que a doutrinação ideológica nas escolas não passa de um “espantalho criado pela extrema-direita”. A fala ocorre após um embate sobre o tema envolvendo a parlamentar recém-eleita Estéfane Sampaio (Republicanos).
Veja entrevista abaixo:
Segundo Estéfane, um estudante do Centro Educacional 6 do Gama (CED 6) do Gama, no Distrito Federal, estava sofrendo perseguição por se declarar de direita. No entanto, Gabriel Magno declarou que a acusação é falsa e se solidarizou com a equipe do colégio que foi abordado pela parlamentar.
“Eu acho que é muito importante que é esse espantalho criado pela extrema direita de doutrinação ideológica, isso não existe. Eu desafio qualquer pessoa a trazer um caso concreto, material, objetivo. Isso não existe nas escolas públicas do sistema federal de hoje, no Brasil todo e no DF”, declarou.
O deputado afirmou que após a divulgação do vídeo feito pela distrital eleita, a equipe escolar passou a sofrer ameaças de pessoas externas à comunidade acadêmica. “Desacatar servidor é crime, previsto no Código Penal brasileiro, tem pena de reclusão. Desacatar um servidor em exercício do seu trabalho e pior, divulgar esse vídeo na internet que incita e mobiliza uma rede de ódio, como nós estamos vendo, que já tem ameaça de morte a professores, a direção da escola, servidores que estão trabalhando, ameaça a integridade física. Então é um completo absurdo que nós vimos é lamentável, é de repudiar completamente esses atos”.
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Gabriel Magno ainda convidou os deputados a conhecerem a realidade das escolas do Distrito Federal. De acordo com ele, os colégios enfrentam problemas de superlotação, de estrutura e com o sistema da Secretaria de Educação (SEEDF).
“Então, eu convido esses parlamentares, que é o mundo da lacração, da internet, a, de fato, se quiserem, se tiverem bem-intencionados, alguns me parecem que não estão bem-intencionados, mas aqueles que estão, a conhecerem a realidade da escola. Com muita tranquilidade, com muita honestidade, desarmado dos preconceitos. Conhecer a realidade do professor, da professora”.
Entenda o episódio
O CED 6 foi palco de uma confusão entre deputados do Distrito Federal após a distrital eleita Estéfane Sampaio (Republicanos) ir até o local e pedir a transferência de um aluno por “perseguição ideológica”. Gabriel Magno e o deputado federal Reginaldo Veras (PV) também estavam no colégio no momento da discussão de Estéfane com os gestores. O petista lamentou o episódio e disse que não houve perseguição ao estudante.
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Segundo vídeo publicado pela parlamentar, um estudante de 16 anos “foi perseguido na escola por se declarar de direita”. “Contabilizaram faltas injustas, a professora colocava fone de ouvido e o ignorava quando pedia para ir ao banheiro e, se fosse, ela lhe dava uma advertência. Isso é só parte do que acontecia com esse garoto de 16 anos, simplesmente porque um dia falou para um colega que votaria no Flávio [Bolsonaro] e a professora escutou”, completou a deputada.
“O que a gente quer é a carta de transferência para ele conseguir ir para um outro colégio onde ele não sofra perseguição ideológica”, completou a deputada. Ao final do vídeo publicado nas redes sociais, Estéfane afirmou que conseguiu trocar o aluno de unidade.
Após o episódio, o distrital, ao lado do federal Reginaldo Veras, apresentaram ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), uma Notícia de Fato, com pedido de medidas cautelares, contra a parlamentar recém-eleita Estéfane Sampaio (Republicanos).
O documento solicita a apuração urgente, motivada por acusações de perseguição político-ideológica, suspeita de exercício irregular de autoridade e graves ameaças em redes sociais.
Os autores da representação pediram a apuração de possível uso indevido de prerrogativas parlamentares por alguém ainda não diplomado e/ou empossado, conduta que pode configurar usurpação de função pública e desacato.
Ainda de acordo com o documento entregue ao MPDFT, a publicação do vídeo nas redes sociais teria desencadeado uma onda de violência digital e discurso de ódio, com comentários contendo ofensas morais e incentivos explícitos a agressões físicas e ataques armados contra educadores.
A representação, que foi endereçada ao procurador-geral do MPDFT, aponta ainda que a exposição gerou um risco concreto à integridade da comunidade escolar.
O Metrópoles entrou em contato com a deputada eleita Estéfane Sampaio, que disse não ter tomado conhecimento formal sobre a representação, mas comentou que está com a “consciência muito tranquila”.
