
Durante coletiva de imprensa, o candidato do PT exibiu 24 slides com questionamentos sobre BRB, contratos públicos e outros assuntos

O candidato ao Governo do Distrito Federal (GDF) Leandro Grass (PT) apresentou uma série de acusações contra a adversária Celina Leão (PP) durante uma coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (23/10), na sede nacional do Partido dos Trabalhadores, em Brasília. Com uma apresentação em PowerPoint de 24 slides, chamada de “O que Celina Leão precisa explicar”, o petista levantou nove pontos sobre os quais cobra esclarecimentos da governadora, incluindo contratos públicos e negócios envolvendo familiares dela.
A apresentação foi dividida em duas partes. Na primeira, Grass abordou as relações políticas e empresariais envolvendo a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Na segunda, ele reuniu questionamentos sobre processos judiciais, empresas ligadas à família de Celina, contratos de transporte público e gastos do GDF com publicidade.
Ao apresentar o slide, Grass afirmou que a campanha eleitoral foi marcada por um cenário de desequilíbrio e acusou a adversária de evitar debates para não responder aos questionamentos.
“Não foi porque ela é vítima, foi porque ela não teve coragem de me enfrentar nessa eleição”, relatou o candidato, ao contestar as justificativas apresentadas por Celina para não participar dos encontros eleitorais.
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Nos primeiros slides, Grass abordou a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB e levantou o questionamento sobre o conhecimento da chefe do Executivo Local sobre as negociações conduzidas durante a gestão do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB).
O material apresentado pelo petista reproduziu informações atribuídas a reportagens jornalísticas sobre supostas negociações envolvendo Ibaneis e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Grass também citou uma mensagem atribuída a Vorcaro, na qual o banqueiro teria afirmado que Celina não ficou de fora das negociações. Na apresentação do slide estava escrita uma frase que teria sido dita pelo ex-banqueiro. “Não ficou de fora, não. Isso aí é jogo para se preservar na política”.
Empresas
Em outra parte do PowerPoint, Grass apresentou informações sobre a Faceng Engenharia, empresa que, segundo o material, tem entre os sócios Fabrício Faleiro Ferreira, marido de Celina, e Bruna Leão, filha da governadora.
De acordo com a apresentação, a empresa teria recebido R$ 3,3 milhões entre maio de 2025 e julho de 2026, por meio de 21 notas fiscais. Desse total, R$ 1,5 milhão teria sido pago pela Real JG e pela 3J Facilities, enquanto outros R$ 1,8 milhão teriam origem em empresas do Grupo Foco.
O candidato questionou a descrição dos serviços nas notas fiscais e afirmou que os documentos apresentados não detalhariam as obras.
“As notas só dizem serviços de engenharia civil, sem obras, sem endereços, sem medição”, disse Grass.
A apresentação também abordou a Operação Drácon, iniciada em 2016, e processos judiciais envolvendo Celina. O material destacou que a governadora foi absolvida em primeira instância, por falta de provas, em uma ação criminal por corrupção passiva, mas que o Ministério Público recorreu da decisão.
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Gastos e processos eleitorais
Outro questionamento apresentado pelo petista envolveu os gastos do GDF com publicidade institucional. Segundo os números exibidos, o GDF teria destinado R$ 309,3 milhões à publicidade entre janeiro de 2025 e setembro de 2026.
No último slide, Grass apresentou um levantamento de processos movidos contra sua campanha na Justiça Eleitoral.
Segundo os dados divulgados pelo candidato, foram 35 processos, sendo que 14 teriam sido julgados improcedentes ou arquivados; 14 tiveram pedidos liminares indeferidos; cinco resultaram em liminares parciais; e dois tiveram decisões procedentes ainda em fase recursal.
