Para aplicar golpes, grupo usava IA e deepfakes com imagens de Gusttavo Lima e padres famosos, como Marcelo Rossi e Fábio de Melo
28/10/2026 08:13
, atualizado 28/10/2026 09:00

Cinco pessoas investigadas por movimentar cerca de R$ 10 milhões por meio de falsas campanhas de doação foram presas nesta quarta-feira (28/10), durante a Operação Cáritas, deflagrada por policiais civis da 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina). O golpe contava ainda com vídeos falsos feitos com deepfake com imagens de personalidades públicas, como o cantor Gusttavo Lima e os padre Marcelo Rossi e Fábio de Melo.
As imagens abaixo foram feitas pelos golpistas utilizando IA:
O grupo é suspeito de praticar estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro por meio da criação e divulgação de campanhas beneficentes falsas na internet.
A operação foi realizada simultaneamente no Distrito Federal e nos estados de Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo. Ao todo, seis investigados são alvos de mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão e medidas judiciais para bloqueio de bens e ativos financeiros.
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Até o momento, cinco suspeitos foram presos: dois em Planaltina (DF), um em Planaltina de Goiás, um em Uberlândia (MG) e um em Joinville (SC). As equipes policiais continuam as diligências para cumprir as demais determinações judiciais.
Durante a operação, também foram apreendidos veículos de luxo e identificados ativos em criptomoedas avaliados em aproximadamente US$ 400 mil, o equivalente a R$ 2,14 milhões.
Imagens:
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Carro apreendido na Operação Cáritas
Reprodução / PCDF

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Outro carro apreendido
Reprodução / PCDF

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Operação Cáritas
Reprodução / PCDF
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Golpes exploravam a solidariedade das vítimas
Segundo as investigações, o grupo mantinha uma estrutura criminosa organizada e tecnologicamente sofisticada, especializada na criação e divulgação de páginas falsas de arrecadação de donativos.
As campanhas utilizavam imagens de idosos, crianças e pessoas com doenças graves para sensibilizar o público e induzir internautas a realizar transferências financeiras.
Para ampliar o alcance das fraudes, os investigados recorriam a ferramentas de inteligência artificial, incluindo a tecnologia conhecida como deepfake, para produzir vídeos falsos com imagens de personalidades públicas, como o cantor Gusttavo Lima, o padre Marcelo Rossi e o padre Fábio de Melo. Também eram utilizadas representações religiosas, inclusive de Jesus Cristo.
Os conteúdos eram divulgados nas redes sociais e direcionavam os usuários a páginas que simulavam campanhas beneficentes legítimas. Os valores arrecadados, no entanto, eram transferidos para contas bancárias controladas pela estrutura investigada.
Empresa recebeu quase R$ 10 milhões em 45 dias
A movimentação financeira identificada pelos investigadores chamou a atenção pela dimensão. Entre 13 de outubro e 26 de novembro de 2025, uma única empresa vinculada ao grupo recebeu 215.575 transações financeiras, que somaram R$ 9.839.087,73, segundo a apuração policial.
Os pagamentos eram, em sua maioria, de pequenos valores, especialmente R$ 30 e R$ 50. Para os investigadores, esse padrão pode indicar um número expressivo de vítimas em todo o país, embora cada transação não corresponda necessariamente a uma pessoa diferente.
A investigação também identificou uma divisão de tarefas entre os integrantes do grupo. As atividades incluíam desenvolvimento tecnológico das fraudes, gerenciamento de redes sociais, formalização de empresas e movimentação e dispersão dos recursos financeiros.
A análise de contas eletrônicas revelou mais de 230 GB de dados armazenados, incluindo vídeos, imagens, roteiros, códigos de programação, bancos de dados e materiais usados na elaboração de novas campanhas fraudulentas. Em uma única conta, foram encontrados mais de 210 GB de conteúdo.
Além disso, cruzamentos de informações realizados pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) identificaram 66 registros de ocorrências no DF envolvendo empresas apontadas como destinatárias de valores relacionados a fraudes eletrônicas. Entre os casos estão golpes de falsas compras, boletos fraudulentos e investimentos fictícios.
Veículos de luxo e criptomoedas
Durante o cumprimento das ordens judiciais, as equipes apreenderam veículos de luxo e identificaram ativos mantidos em carteiras de criptomoedas avaliados em aproximadamente US$ 400 mil, equivalentes a R$ 2,14 milhões, conforme a cotação informada para esta quarta-feira (28/10).
As medidas patrimoniais buscam impedir a transferência ou ocultação de recursos possivelmente provenientes das atividades investigadas, preservar bens e valores e permitir eventual reparação dos prejuízos causados às vítimas.
A operação mobilizou equipes policiais nas cinco unidades da Federação, com o objetivo de interromper as atividades dos núcleos identificados durante a investigação.
A PCDF segue apurando o caso para identificar outras possíveis vítimas, rastrear os recursos financeiros, esclarecer a participação individual dos investigados e verificar a existência de outras ramificações do grupo.
Os suspeitos poderão responder, conforme a participação de cada um e as provas reunidas, pelos crimes de estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, sem prejuízo da apuração de outras possíveis infrações penais.
