Agente da Polícia Civil de São Paulo alega legítima defesa da esposa, mas depoimento do síndico e vestígios no local contradizem versão

Um homicídio envolvendo um integrante das forças de segurança pública de São Paulo movimentou o distrito de Arraial d’Ajuda, em Porto Seguro, na Bahia. Um policial civil paulista, que estava fora de serviço, matou a tiros um amigo com quem compartilhava uma casa alugada para temporada num residencial no Alto da Pitinga.
A Polícia Civil da Bahia investiga o caso, que teve início como uma aparente discussão motivada pelo consumo de bebidas alcoólicas. O crime ocorreu nesta quinta-feira (29/10).
De acordo com as apurações iniciais contidas no boletim de ocorrência, a vítima, o autor dos disparos e a esposa do agente viajavam juntos e ocupavam o imóvel desde o último domingo. A desavença teria começado durante a travessia de balsa, após o grupo deixar um quiosque na orla da região.
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Em depoimento prestado às autoridades de Porto Seguro, o policial civil alegou que, ao chegarem à residência, a vítima passou a exigir de forma agressiva o celular de sua esposa. Diante da recusa, o homem teria agredido a mulher com um chute e um tapa, sacando uma faca logo em seguida. O agente afirmou ter efetuado os disparos para defender a companheira e que voltou a atirar quando o amigo, mesmo atingido, tentou recolher a arma branca do chão. A mulher do policial apresentou uma versão semelhante à dos fatos.
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Pedido de socorro
A tese de legítima defesa apresentada pelo agente, contudo, contrasta com o depoimento prestado pelo síndico do condomínio às equipes policiais. O responsável pelo prédio relatou ter ouvido estampidos de tiros e gritos vindo do interior do imóvel. Logo em seguida, presenciou a vítima saindo da casa gravemente ferida e sangrando, clamando por socorro antes de cair inconsciente junto à porta de entrada.
A testemunha acrescentou ainda ter visto o policial civil deixar o local em direção à praia e retornar pouco tempo depois. Ao voltar para o imóvel, o síndico afirmou ter flagrado o agente com uma faca na mão, detalhe que passa a ser analisado pela perícia técnica.
O Centro Integrado de Comunicações (CICOM) foi acionado pelo proprietário do imóvel após alertas de vizinhos sobre o barulho de disparos e a presença de sangue no local. Guarnições da Polícia Militar e equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram deslocadas para a ocorrência, mas a vítima não resistiu aos ferimentos e teve o óbito constatado ainda na cena do crime.
O veículo utilizado pela vítima foi localizado no imóvel e passará por perícia. O caso segue sob apuração da Polícia Civil da Bahia, que colheu os depoimentos e instaurou inquérito para esclarecer a dinâmica dos fatos e determinar as responsabilidades criminais do policial paulista.
